Pular para o conteúdo principal

E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #194 - Carolina Vianna


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nossa entrevistada de hoje é cinéfila, de São Paulo. Carolina Vianna é licenciada em Letras (português-italiano) pela UNESP e bacharel em filosofia pela UNIFESP. Pós-graduada em Fundamentos da Cultura e das Artes pela UNESP no Instituto de Artes de São Paulo. Atuou como professora por um tempo, mas hoje trabalha no fascinante mundo da aviação. Segue apaixonada por arte e gosta de viajar, ler, dançar, comer - e claro, ver um bom filme. Em 2005 se assumiu cinéfila e em 2015 aceitou que sua memória não conseguia lembrar de todos os filmes que assistia. Então, encontrou no @cineblogsemnome (seu Instagram) uma forma de armazenar os melhores filmes que tem visto por aí. 

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Petra Belas Artes, CineSesc e Espaço Itaú de Cinema porque são salas com uma programação mais alternativa fora do circuito comercial.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Meu pai gostava muito de filmes e alugava muitas fitas VHS às sextas-feiras na volta do trabalho. Então, era isso o que fazíamos juntos frequentemente nos finais de semana quando era criança, mas entrar em uma sala de cinema somente aconteceu pela primeira vez muito tempo depois que ele faleceu. Eu poderia citar os filmes que assisti na infância ou os preferidos do meu pai, mas na realidade o que tornou o cinema um lugar diferente para mim foi o contexto afetivo que ele me proporcionou.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Pedro Almodóvar. A Pele que Habito; Maus Hábitos, Volver e Má Educação.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Até esse momento o favorito é A História da Eternidade porque o filme transborda em poesia e intensidade os sentimentos e sonhos dos personagens. Um combo de interpretação, fotografia e trilha sonora que me arrebataram.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

A cinefilia para mim é uma experiência para além do mero entretenimento porque cinema para mim é algo que faz pensar e humaniza.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Os cinemas que eu frequento me fazem acreditar que sim.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Espero que não.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

A História da Eternidade (2014).

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Não. Mesmo que reabram respeitando normas de distanciamento e segurança eu pessoalmente não me sinto confortável e segura por isso prefiro aguardar pela vacina e incentivar outras formas de manter a chama do cinema acesa.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Embora os filmes comerciais sejam maioria e as boas produções não tenham a divulgação e reconhecimento merecidos, o cinema brasileiro tem sim produções excelentes.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Selton Melo, Wagner Moura, Dira Paes, Sonia Braga, Lázaro Ramos e Irandhir Santos.

 

12) Defina cinema com uma frase:

“Um modo divino de contar a vida.” (Federico Fellini)

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Era uma quarta-feira à tarde com pouquíssimas pessoas no meu cinema preferido e eu fui sozinha me sentindo a privilegiada por poder escolher o melhor assento com calma. Quando as luzes se apagaram entrou um espectador atrasado e um pouco eufórico pedindo licença para passar e se sentou praticamente ao meu lado. Achei desnecessário, fiz a linha cinéfila chata dei aquela respirada, reclamei mentalmente e nem olhei para o lado.

Terminou o filme com a escassa plateia extasiada, as luzes se acenderam e quando finalmente olho para o lado o espectador atrasado era Nando Reis!

Deveria ter pedido para ele cantar Por Onde Andei, mas eu só fui embora mesmo.

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Nunca ouvi falar. Joguei no Google para saber e isso me ajudou a decidir pelo bálsamo da ignorância sobre o tema.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Não precisa, mas se for cinéfilo da maneira como eu entendo a cinefilia talvez fizesse do cinema um lugar ainda mais fascinante.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida? 

Crime Delicado (2006) mas eu estou disposta a tentar novamente. A verdade é que eu padeço de vergonha alheia então filmes que tenham o Adam Sandler no elenco já entram na lista de pior filme da minha vida só de ver o trailer.

 

17) Qual seu documentário preferido?

Não consigo citar apenas um: What Happened, Miss Simone?; Alive Inside; À Procura de Sugar Man; A Fotografia Oculta de Vivian Maier.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?  

Com certeza sim embora não me lembre.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

Nunca assisti nada motivada pela atuação de Nicolas Cage. O único filme que ele atuou e eu assisti na adolescência foi Cidade dos Anjos e achei ok.

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Não acompanho nenhum site especificamente de maneira assídua. No Instagram sigo vários @ como: cinematografiaqueer, outrocine e guiadocinefilo.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...