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Crítica do filme: 'Wet Season'


Quando a chuva vira uma parábola da solitude. Depois de vencer um importante prêmio no Festival de Cannes no ano de 2013, o cineasta Anthony Chen volta as telonas em seu segundo longa-metragem, Wet Season, um recorte da vida de uma professora que nutre uma esperança, mesmo dentro do cotidiano caótico em que vive, de ser mãe. Além disso, a forte protagonista encontra em uma improvável relação com um aluno muitas lições sobre a vida. O projeto é profundo, delicado e fala sobre o primeiro amor, a esperança de dias melhores dentro de uma melancolia matrimonial, questões políticas na superfície e seus contrapontos Malásia x Singapura, a questão do ensino da língua. O filme é lento, demora pra acontecer mas quando acontece se torna um recorte cheio de esperança. Exibido na Mostra de São Paulo do ano passado.


Na trama, acompanhamos Ling (Yeo Yann Yann) uma professora que ensina mandarim em uma escola na Singapura, onde sua matéria é considerada a menor das prioridades. Seu casamento está em dias muito ruins, com a provável infidelidade do marido nada presente. Seu cotidiano é muito afetado, pois, precisa cuidar do debilitado sogro que mora na sua casa marido sempre que chega em casa. Certo dia, começa a se aproximar de um aluno que tem os pais ausentes. Há de cara uma observação de uma interseção dentro da solidão que caminham suas vidas, mesmo com a faixa de idade sendo bastante acentuada entre os dois. Uma relação acontece de algumas formas e maneiras, e ambos precisam lidar com tudo que acontece em suas voltas.


Wet Season é um drama bastante profundo. Escrito e dirigido por Chen, o projeto busca nos detalhes as riquezas das compreensões emocionais que os personagens passam. A protagonista é a personagem que mais se desenvolve, se desconstrói de maneira profunda. Há uma grande infelicidade no ar que chega por todas os lados para ela: seja no matrimônio onde é rejeitada pelo marido, nas obrigações que teoricamente não seriam dela de limitar seu tempo cuidado do sogro, na escola onde ensina uma língua que não é considerada prioridade no ensino, o lidar com uma aproximação de um aluno, os conflitos e dramas enfrentados para ser mãe. Um poderoso trabalho de Yeo Yann Yann, grande destaque desse belo filme.

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