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E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #347 - Eduardo Cabanas


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nosso entrevistado de hoje é cinéfilo, do Rio de Janeiro. Eduardo Cabanas tem 31 anos é produtor e gestor artístico, formado em Produção Cultural pela UFF, atua no mercado de cultura desde 2009 com experiência em produção executiva, curadoria e coordenação de espaços culturais. Cinéfilo desde a adolescência, também escreve sobre cinema e TV em portais independentes e nas redes sociais. Atualmente organiza o blog Cinema & Cannoli e a conta Cine Japão no Instagram (@cinejapao), esta última dedicada a dicas, informações e opiniões sobre cinema japonês.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Estação Rio em Botafogo - Ambiente agradável, muitas mostras, boa programação e ótimo café.

 

2) Qual o primeiro filme que você  lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Star Wars (relançamento na década de 90).

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Tantos, que pergunta difícil! Se tivesse que resumir...

 

Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro), Pete Docter (Divertida Mente), Stanley Kubrick (2001), Akira Kurosawa (Rashomon), Hirokazu Koreeda (Assunto de Família), Kleber Mendonça Filho (Bacurau), Sofia Coppola (Encontros e Desencontros), Steven Spielberg (Jurassic Park), Isao Takahata (O Túmulo dos Vagalumes), Céline Sciamma (Retrato de Uma Jovem em Chamas), Spike Lee (Malcolm X).

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Não dá pra responder um só nessas perguntas! Mas atualmente ando apaixonado por três: Bacurau, Que Horas Ela Volta? e Cabeça de Nêgo. Todos são bem diferentes entre si, mas ao mesmo tempo representam o Brasil como ninguém. Só mostra a beleza do nosso cinema.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Ver filmes de todas as épocas, países e gêneros, sem preconceitos e de cabeça aberta. Saber debater uma obra, ter olhar sobre suas características formais, políticas e narrativas. E, claro, respeitar e amar cinema em sua pluralidade: de Vingadores a Coutinho, de Pixar a Charles Chaplin e por aí vai!

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Só as redes de nicho, como Belas Artes, Estação, Espaço Itaú.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Jamais. Creio que as salas pequenas podem ficar mais nichadas e as grandes redes cada vez mais investir só em grandes lançamentos, mas acabar é impossível.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Pra ficar no tema do meu Instagram: O Funeral das Rosas, um documentário ficcionalizado e experimental japonês da década de 60. Transgressor e inacreditável.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Se tivesse com baixa contaminação e hospitais com muitas vagas livres, acho um assunto digno de se discutir. Infelizmente nunca foi o nosso caso, então pra mim tem que ficar fechado. Pessoalmente, só voltarei aos cinemas com a vacina.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Altíssima. Aliás, não só eu, o mundo todo. Olha 2019, tivemos filmes premiados e/ou fazendo barulho em Cannes, Sundance, Locarno, Berlim e até no Oscar. Nosso cinema é riquíssimo, diverso e extremamente prestigiado.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Laís Bodanzky, diretora fantástica.

 

12) Defina cinema com uma frase:

"Se for, vá na paz."

Bacurau é lição de vida!

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Assistindo 12 Anos de Escravidão de Steve McQueen, filmaço ganhador do Oscar, duas situações: uma mulher desmaiou e um senhor vomitou. Foi uma sessão e tanto!

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Não anulem minha carteirinha cinéfila, mas nunca assisti.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Acho que não, mas certamente ajuda. Pelo menos nas entrevistas, os diretores cinéfilos são os que tem mais assunto, falam melhor e gostam de debater o tema.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

Internet - O Filme e Movie 43. Não consigo escolher.

 

17) Qual seu documentário preferido?

Atualmente Emicida: Amarelo - É Tudo Pra Ontem. Imperdível!

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?

Diversas vezes. Em festival isso é bem comum. Gravidade, Eu Daniel Blake, Infiltrado na Klan, todos muito aplaudidos no Festival do Rio, inclusive por mim. :)

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

Caramba, heim! Vou de Adaptação, mas já me sentindo injusto com tantos outros.

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Cinema em Cena.

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