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Crítica do filme: 'Matar Jesus'


Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus, escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana.


Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita (Natasha Jaramillo), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acaba reconhecendo o rosto de um dos responsáveis pelo assassinato do pai, Jesús (Giovanny Rodríguez). Assim, busca se aproximar dele para fazer justiça com as próprias mãos.


Observando de perto a realidade de Jesús, e todo o caos que o cerca, Lita se depara com os amigos dele, a mãe religiosa e a perda do irmão que era uma referência para ele. É um choque para ela também ver tudo que envolve a vida desse jovem que não tem futuro, objetivos e passa seu cotidiano executando ordens que não sabe de onde vem e no aguardo de uma sentença. Sempre em conflito, a personagem principal busca suas respostas mesmo estando cega em busca de uma vingança que não consegue sair de seu coração.


Matar Jesus é um poderoso drama, expõe histórias de parte da comunidade violenta. Também explica o entorno, seus porquês, um paralelo com muitos países latino americanos, parte da sociedade que praticamente é deixada de lado, sem apoio ou incentivo tendo sua única solução para sobrevivência ter que roubar ou cometer crimes, envolvidos na corrupção que algumas vezes também está ligada às leis que deveriam servir para proteger e orientar.



 

 

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