Pular para o conteúdo principal

E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #431 - Juliana Rocha


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nossa entrevistada de hoje é cinéfila, de São Paulo. Juliana Rocha tem 29 anos. É jornalista, estudante de roteiro e sonoplasta. Trabalha em uma agência de comunicação em SP, mas nos últimos anos tem se especializado mais no audiovisual. Também é especialista em projetos culturais e leis de incentivo fiscal.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Eu gosto muito da variedade na seleção de filmes do Itaú Cinemas. Tem muitos filmes independentes, exibição de curtas e nas mostras e festivais sempre tem muitos filmes que valem a pena! A sala que eu mais vou é a da Augusta.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

O primeiro filme que eu vi no cinema foi Scooby Doo hahaha, mas o primeiro filme que eu vi no cinema que me deixou realmente encantada e emocionada foi Harry Potter e Câmara Secreta. Mais do que o filme, toda a aura do espaço, da tela grande, daquelas escadas até sua poltrona, tudo isso me encanta até hoje.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

É muito difícil escolher um só, mas devo dizer que é o Christopher Nolan. Esse jeito metódico e até meio “frio” dele, sempre me fascinou. Pra mim, Batman o Cavaleiro das Trevas é a obra-prima dele e meu favorito.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Deus e o Diabo na Terra do Sol. É incrível o que o Glauber Rocha fez só com 25 anos. É o meu preferido porque, pra mim, esse filme é a cara do Brasil: tem cordel, cangaço, sertão e a relação política-religião, tudo muito visceral, natural e construído por personagens maravilhosos. É um filme realmente revolucionário que mudou para sempre a forma de narrativa do cinema brasileiro.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Acho que ser cinéfilo vai além de você ficar se gabando por ter visto x filmes iranianos. Cinéfilo é quem enxerga a atividade de ver uma obra audiovisual em toda sua totalidade, são pessoas curiosas que vão além das 2 horas de duração do filme. Gostam de pesquisar, conversar, indicar e entender a importância de cada obra na sociedade. Gente que gosta muito de cinema e procura tornar esse amor como parte da sua vida pessoal ou profissional.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Nessas salas menores a programação é mais direcionada sim, mas nas grandes redes, os blockbusters e os filmes de grandes estúdios são os que dominam mesmo e acabam, inclusive, tirando o espaço para produções pequenas.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Do fundo do meu coração eu espero que não, porque a experiência de entrar em uma sala de cinema salva até um filme ruim. Mas eu acredito que com a venda de grandes estúdios para gigantes do streaming como a Amazon, Disney e Netflix, as salas vão ser reduzidas, sim. Acabar acho que não, mas acho difícil essas redes de cinema manterem tantas salas no futuro. Espero estar bem errada rs.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Projeto Flórida (2017). Eu amo esse filme porque ele parece ser até um documentário pela forma que o diretor filmou. A protagonista é uma criança e a gente logo se conecta com ela por todo ar intimista e bem natural do filme.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Não. Eu cheguei a ir ano passado, mas me arrependi. Mais do que todos as normas e protocolos sanitários, acho que a reabertura dos cinemas seria uma normalização da pandemia e de todas as mortes.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

A gente tá evoluído muito e vamos evoluir ainda mais quando não focarmos exclusivamente no gênero do humor. Tem muita gente com histórias boas e inovadoras, o mercado das séries é um bom termômetro pra gente perceber isso.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Fernanda Montenegro.

 

12) Defina cinema com uma frase:

Eu gosto de como Fellini define: “Cinema é um modo divino de contar a vida”. Acho que isso que torna tudo mágico.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Eu fui assistir A Cabana e comecei a dar risada porque em um momento do filme, absolutamente, TODA as pessoas estavam chorando emocionadas hahaha. Achei engraçado!

 

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras...

À frente do seu tempo.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo? 

Cinema é técnica e muita gente esquece isso. Acho que não precisa ser um cinéfilo, mas é bom você ter referências, até pra você criar uma identidade como diretor e entender que história você quer contar pro público.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida? 

Já vi muitos filmes ruins, mas vi recentemente o Milagre na Cela 7 e esse me irritou demais. Odeio filme que apela demais pra emocionar o expectador.

 

17) Qual seu documentário preferido? 

Fahrenheit 9/11.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão? 

Ainda não.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu? 

Con-Air, com certeza. Não sei quantas vezes já vi esse filme na vida!

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Omelete.

 

21) Qual streaming disponível no Brasil você mais assiste filmes?

Telecine Go.

 

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...