Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Sanremo'


As forças do sentimento chamado de amor. Abordando uma relação bastante peculiar entre duas almas já no final de suas vidas, Sanremo busca suas forças na delicadeza mesmo que uma cratera dentro do roteiro se torne cada vez mais evidente deixando o espectador com muitas pontas soltas e partindo para o campo complicado da suposição. Indicado da Eslovênia para uma vaga ao próximo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o projeto é dirigido pelo cineasta bósnio Miroslav Mandic.


Exibido na Mostra de Cinema de SP 2021, o filme apresenta Bruno (Sandi Pavlin) e Duša (Silva Cusin) dois idosos que vivem seus dias reclusos em uma casa de repouso em uma região afastada dos grandes centros. Eles possuem uma harmonia nítida e a cada vez que se veem parece que é a primeira vez, principalmente se pensarmos no ponto de que ambos sofrem de demência. A única ligação forte que eles possuem é uma canção antiga que fora exibida em uma festival que ambos provavelmente foram na juventude.


Há uma beleza nas cenas, no modo de filmar, até mesmo em sua lenta narrativa. Só que Sanremo peca onde é fundamental não pecar, no ritmo e nas explicações, também nos porquês que são esquecidos e nos forçam a completar nossas lacunas com suposições. O relacionamento dos protagonistas é definido pelas memórias, nosso campo de reflexão sobre acaba chegando através de uma canção, um simbolismo cheio de significados. Como não há subtramas, tudo fica muito jogado em um roteiro que se torna objetivo, mas sem profundidade, a todo instante.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...