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Crítica do filme: 'A Jaula'


As incongruências do limite emocional envolto de uma eterna crise social. Quantas vezes você já foi assaltado na sua vida? Se você pudesse faria justiça com as próprias mãos? E a questão dos direitos humanos? E o contexto social em que vivemos? Você pensaria sobre isso? Essas e outras perguntas fazem parte do campo reflexivo do longa-metragem nacional A Jaula, remake do filme argentino 4x4. O filme é bem aberto ao campo das reflexões sociais, que vão desde os princípios morais passando pela impunidade, pelo circo midiático a partir de tragédias ligadas à violência e o papel da polícia e das leis dentro de uma sociedade. Dirigido por João Wainer e com Chay Suede e Alexandre Nero como protagonistas. A produção é da Tx Filmes, em coprodução com a Star Original Productions.


Na trama, conhecemos um jovem (Chay Suede) ladrão que vendo a oportunidade de roubar mais um carro, uma caminhonete de luxo parada em uma rua pacata de uma grande cidade, não pensa duas vezes e inicia a ação do roubo. O problema é que quando ele tenta sair do carro para fugir o carro simplesmente não abre e aos poucos ele começa a perceber que está preso de propósito pelo dono do carro, que entra em contato com ele pelo telefone do carro, um ginecologista renomado (Alexandre Nero) que já fora roubado outras vezes e dessa vez resolveu fazer justiça com as próprias mãos. Lutando para sobreviver sem comida, água e com o emocional completamente destruído inicia-se um jogo psicológico intenso onde a moral é colocada em xeque.


A narrativa é muito bem definida, o filme prende a atenção. Há uma construção superficial dos personagens mas eles estão dentro dos contextos sociais que o filme navega, os conflitos são vistos a todo instante e com margem para olharmos sob os dois pontos de vistas. Esse recorte sociológico solta à diversas questões: a impunidade, a insegurança, os direitos humanos, entre outros pontos. O lado emocional é um item importante, coloca os personagens em uma linha tênue que separa a vítima do seu agressor. Pode ser observado também que o diálogo não é um confronto, é um desabafo de alguém que perdeu os princípios éticos e escondeu dentro de si a moral. A banalização da violência é bastante objetiva aqui com a menção, quase um pano de fundo, do jornalismo sensacionalista que cobre situações de confronto.


O roteiro, adaptado por João Candido Zacharias, tem o mérito de jogar as questões para debates, fazendo com que os espectadores mais atentos busquem refletir sobre as cordas bambas das ações dos personagens. Tem alguém certo nessa história? Como você reflete sobre isso? A ação e consequência aqui nada mais é do que o reflexo da realidade do lado de cá da telona.  



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