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Crítica do filme: 'Querida Léa'


A autoanálise dos clichês que giram em torno do amar. Escrito e dirigido pelo cineasta parisiense de 44 anos Jérôme Bonnell, Querida Léa nos leva para um dia na vida de um homem de 40 e poucos anos que está em conflito com suas emoções depois de um desfecho de um novo relacionamento com uma mulher mais nova. O desespero, a angústia, o término, dominam as ações e emoções dessa jornada de 24 horas fazendo o protagonista entrar em uma estrada de autoconhecimento sobre tudo que o cerca. Os clichês do amor se transformam em meditação para o conflituoso personagem que se depara com argumentos de terceiros sobre seu momento atual. O filme faz parte da seleção do Festival Varilux de Cinema Francês 2022.


Na trama, conhecemos o gerente de uma empresa de construção chamado Jonas (Grégory Montel), um homem que acorda de madrugada em uma festa de uma empresa que vai logo cedo encontrar sua paixão atual, a bela Léa (Anaïs Demoustier), uma cantora de ópera. O relacionamento entre os dois está à beira do término, sem o primeiro aceitar esse rompimento. Após esse encontro, ele vai até um café, administrado pelo simpático Mathieu (Grégory Gadebois) que fica de frente à casa da amada e lá começa a escrever sobre o amor. Podemos entender também que ele escreve para si mesmo, descobrindo campos profundos de suas emoções. Ao longo desse dia, cheio de variáveis incontroláveis e conversas conflituosas o olhar do outro e para o outro acaba se tornando frequente, seja no ônibus, na estação de trem, ou no simpático café.


A trama caminha lentamente pelo campo da suposição, aqui gerando cenas cômicas que tem como cenário um frequentado bairro francês, um bar e a janela da amada. O simbolismo desse último, a janela, pode-se traçar paralelos em fábulas românticas literárias famosas onde essa região da casa se torna cenário de um romantismo implícito. Longe de ser simplista em sua premissa, o longa-metragem caminha pelo somatório de conflitos que Jonas não está sabendo ultrapassar. O filme busca seu desenvolvimento para os embates emocionais dentro de um recorte muitas vezes intimista de um personagem principal que busca encontrar as respostas dessas lacunas que não consegue preencher.


Na vitrola tocando Mr. Bojangles (música epicêntrica de outro filme do Festival Varilux desse ano, Encontrando Bojangles), o ato de escrever sobre o amor e também seus clichês, os novos olhares, a recente descoberta da atenção aos argumentos dos outros que alcança a realidade muitas vezes... aos poucos, se você conseguir embarca nessa jornada, vamos sendo transportados para o refletir sobre o cotidiano e suas várias formas de enxergar os conflitos.



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