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Crítica do filme: 'Jogada de Risco'


Os truques para suportar os conflitos que a vida coloca no caminho. Primeiro longa-metragem da carreira do aclamado cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson, Jogada de Risco nos leva para o universo dos jogos e da malandragem num ping pong de emoções onde estão no meio do conflito o portador do conhecimento e o seu aprendiz. A forma como chegamos nas verdades desses personagens é interessantíssimo, o projeto tem um importante reviravolta que acaba fazendo muito sentido em tudo que acompanhamos nos 102 minutos de projeção. Destaque também para o baita elenco encabeçado pelo experiente Philip Baker Hall (que nos deixou em junho desse ano).


Na trama, conhecemos um misterioso chamado Sydney (Philip Baker Hall) que encontra um homem chamado John (John C. Reilly) jogado na porta de uma lanchonete e oferece um acordo para ensiná-lo a ganhar dinheiro com jogos de azar. O tempo passa, e a dupla vai fazendo dinheiro juntos até que John se envolve em uma enorme confusão ao lado do seu  grande amor, a complicada Clementine (Gwyneth Paltrow). Mas surpresas chegarão ao caminho dos personagens, principalmente quando descobrimos algumas questões do passado de Sydney.


As intenções do fazer o bem ou apenas uma forma de buscar redenção. O ambíguo personagem interpretado por Baker Hall, uma extensão do personagem que vemos em Cigarettes & Coffee (um curta-metragem de Paul Thomas Anderson) é o grande alicerce do projeto que nos explica alguns tortos caminhos das segundas chances e como as oportunidades muitas vezes quase são desperdiçadas. Completamente viciado na sua bolha de apostas, Sydney parece querer passar o bastão, como se fosse uma forma de tentar enxergar o fim do longo túnel que está faz muito tempo. Mas quais as reais intenções? É preciso um plot twist, daqueles que realmente surpreendem, para entendermos partes desse enigmático personagem que caminha em passos largos numa espécie de redenção após escolhas de um passado barulhento.


Os coadjuvantes trazem os fortes conflitos para o protagonista, que precisa escapar da sua atual comodidade de ganhar a vida e voltar a ações e emoções ligadas à resoluções de uma via, violentas, algo que talvez estava adormecido. O duelo entre Mestre e Aprendiz nunca acontece, como dito acima Jogada de Risco não é sobre isso, é sobre como podemos consertar o que não dá pra ser consertado.  



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