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Crítica do filme: 'Pérola'

Créditos fotos: Marcinho Nunes

Abalou Bauru! Baseado em uma peça de teatro, de enorme sucesso em todo o Brasil, escrita pelo dramaturgo Mauro Rasi, Pérola, segundo trabalho de Murilo Benício como diretor de um longa-metragem, é um projeto cativante, que através de lembranças, memórias, nos leva a olhar pelo buraco da fechadura no campo das emoções e conflitos de uma família, de Bauru, do interior de São Paulo. O principal mérito do roteiro é conseguir fazer rir e chorar de forma constante em uma história de sentimentos diversos ao longo de um recorte de muitos anos. Drica Moraes, uma força da natureza em cena, domina sua personagem com maestria, uma baita atuação dessa fantástica artista brasileira.


Na trama, conhecemos Mauro, já adulto, que recebe uma notícia que o faz refletir sobre uma das pessoas mais importantes de sua vida, sua mãe, Pérola (Drica Moraes). Essa, uma mãe de família, esposa carinhosa, com dois filhos, moradora de Bauru, que tem uma personalidade forte mas nunca deixa de ser amável. Ao longo de alguns anos, onde, entre outras questões, vemos uma curiosa e demorada construção de uma piscina, vamos entendendo os grandes embates dessa família como tantas outras pelo Brasil, que brigam, fazem as pazes, buscam se entenderem nos conflitos mas nunca deixam de se amar.


Nessa comédia dramática, que traça seu objetivo principal em emocionar possui na sua trajetória um encontro com a comédia de maneira brilhante, uma fórmula mágica que parece ser transferida do teatro para a tela grande sem perder sua força. Se no teatro Vera Holtz, Sergio Mamberti e outros excelentes artistas brilharam nesses personagens, nessa adaptação para as telonas não é diferente, com um elenco maravilhoso com destaque para a fabulosa interpretação de Drica Moraes. Impossível não se emocionar!


A passagem temporal é grande e os pontos principais dessa família não se limitam a pai, mãe e filhos, como também há o genro religioso, as tias fofoqueiras, a vovó já idosa que precisa morar com eles, entre outros. Parece que estamos abrindo a janela e assistindo ao desenrolar da trama, como se de alguma forma tudo que vemos já ouvimos por aí, o que transforma a experiência em algo nostálgico. Rasi começou a escrever esse texto para o teatro no dia em que sua mãe faleceu, nos palcos o narrador era Emilio, um alter ego do autor, aqui na adaptação cinematográfica o nome é o do criador dessa história, uma homenagem ao dramaturgo que nos deixou em 2003.


O abstrato universo da lembrança, da memória, é por onde o filme navega, o grande ponto intercessor, com um narrador presente, que nos mostra suas angústias que vão desde conflitos pelo sonho em ser um escritor de peças de teatro até os medos por questões de sexualidade.


Pérola não deixa de ser uma homenagem de Murilo Benício também ao Teatro Brasileiro, como já fizera em seu primeiro longa como diretor, O Beijo no Asfalto baseado na obra de Nelson Rodrigues.




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