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Crítica do filme: 'A Mãe'


As escolhas de uma mãe. Dirigido pela cineasta neo zelandesa Niki Caro, chegou na plataforma da Netflix nesse primeiro semestre de 2023 um filme que aborda as várias camadas emocionais de uma mãe que desde sempre soube que seria algo quase impossível estar perto de sua única filha. Abordando os caminhos tumultuados das escolhas difíceis dentro de uma proposta onde a ação vem em primeiro lugar, A Mãe foge da melancolia com uma forte protagonista que se vê perdida na bolha que criou para se proteger. Pena que a narrativa derrapa quando o drama, um afluente da ação, busca encontrar respostas em uma trama mal explicada ligada ao passado da personagem principal.


Na trama, conhecemos uma ex-militar (Jennifer Lopez), exímia atiradora, que se meteu em várias enrascadas através de conhecidos, se tornando uma impiedosa assassina, vivendo como nômade, fugindo de serviço em serviço. Um dia ela descobre estar grávida e após um acordo com o FBI, resolve se distanciar da filha ainda bebê. O tempo passa, e sua filha Zoe (Lucy Paez), agora uma adolescente vivendo com os pais adotivos, corre perigo de vida, situação que a faz estar novamente no radar de impiedosos bandidos.  


O significado de ser mãe, essa parece ser a grande busca da protagonista, uma mulher que não tem o nome revelado, talvez um simbolismo para refletirmos durante toda a projeção sobre a situação maternal que se encontra. Objetiva, cheia de cartas na manga, parece estar preparada, mais forte, no momento em que se encontra sozinha, distante, como se o envolvimento emocional a deixasse sem norte, com escolhas cada vez mais difíceis para se fazer. Esse conflito contorna o roteiro.


A ação, que acaba sendo o foco das pouco menos de duas horas de duração, chega com força como se o sentido de sobrevivência se juntasse ao objetivo de proteção a alguém que a gente ama. Esse sentimento está na ponta da bola de cada atitude desenfreada, e muitas vezes inconsequente, de uma personagem que não consegue se desprender do seu passado violento, o único mundo em que ela viveu até ali.


A Mãe é um filme violento, em muitos sentidos. Seja nas impiedosas ações da protagonista, seja no sentido de ruptura e busca de reconciliação do sentimento mais forte do universo, o amor de uma mãe.



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