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Crítica do filme: 'Trancada'


A árvore boa não pode dar frutos ruins. Chegou ao catálogo da Prime Video um suspense que gira em torno dos conflitos de uma mãe com um passado de inconsequências, se vendo em uma situação complexa tendo que lidar com variáveis incontroláveis. Dirigido pelo cineasta D.J. Caruso com um roteiro assinado por Melanie Toast, em seu primeiro roteiro para um longa-metragem, Trancada se guia pelas suas linhas de intensa tensão numa caminhada repleta de simbolismos que retratam conflitos, a luta entre o se entregar ou manter esperança.


Na trama, conhecemos Jessica (Rainey Qualley), uma jovem de vinte e poucos anos, ex-viciada em drogas, com um recentemente passado vivido em algum tipo de reabilitação, que se vê em uma situação complicada quando fica presa dentro da dispensa da velha casa onde está morando de forma provisória com os dois filhos pequenos, ao mesmo tempo em que reaparece em sua vida Rob (Jake Horowitz) o ex-namorado viciado, pai das crianças. Lutando contra o tempo, contando com a ajuda da filha mais velha, mas ainda assim uma criança, e buscando soluções para sair dessa situação, a protagonista enfrentará seus medos.


Rodado todo no Estado do Tennessee, nos Estados Unidos, Trancada busca sua base nas complexidades de uma mãe buscando redenção. Lutando contra os demônios de seu passado ligado a inconsequência, a protagonista parece ter superado essa fase e embarcado na jornada de ser uma mãe melhor para seus filhos. Presa naquele lugar, se vê em conflito com o fato de ainda se achar uma péssima referência como mãe, até mesmo com conflitos não resolvidos com sua própria. O espaço onde fica trancada é pequeno mas esse tenso suspense consegue ampliar aquele cômodo, entendendo de forma objetiva medos e partes do passado de uma protagonista que briga até o último instante para não perder a esperança.


Somos colocados na visão da protagonista a todo instante, sem saber ao certo o que acontece longe daquele cômodo. Com os poucos recursos e os abalos psicológicos que sofre, Jessica se vê num ponto crítico, onde decisões precisam serem tomadas. De forma complementar, a fé ganha seu espaço, com uma protagonista perdida em seus pensamentos angustiantes que logo viram dilemas e com acesso ao mundo caótico que a levou em grande parte até ali. É um ótimo trabalho de Rainey Qualley, que é filha também da maravilhosa atriz Andie MacDowell.

 


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