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Crítica do filme: 'Morte no Nilo' (1978)


O poder e o amor. Em uma das primeiras adaptações para as telonas de um dos maiores clássicos de Agatha Christie tendo o brilhante detetive belga Hercule Poirot como protagonista, Morte no Nilo lançado em 1978 é um daqueles mistérios mirabolantes que são difíceis de saírem de nossas memórias. Navegando na águas conturbadas entre o poder e o amor, em uma análise fria e objetiva do ser humano e seu egoísmo descarado, vamos acompanhando intrigantes personagens e seus atos inconsequentes. Na pele do protagonista, o Cavaleiro da Ordem do Império Britânico Peter Ustinov.


Na trama, encontramos Hercule Poirot (Peter Ustinov), lendário detetive, que curte suas férias no Egito mas logo se vê envolvido em um caso misterioso. Durante um passeio de barco pelo rio Nilo, uma milionária chamada Linnet Ridgeway (Lois Chiles), odiada por muitos presentes nesse local, é assassinada a sangue frio enquanto dormia. Com muitos suspeitos e subtramas ligadas a ganância e amores perdidos, Poirot enfrentará um verdadeiro quebra-cabeça para resolver o caso.


Primeira aparição como Hercule Poirot do ator britânico Peter Ustinov, que voltou a representar esse glorioso papel mais cinco vezes, três em filmes lançados nos cinemas, outros três em filmes lançados diretamente para televisão, Morte no Nilo e suas intensas duas horas e dez de projeção consegue ambientar o espectador ao universo das emoções em conflitos, beirando à inconsequência.


A ganância é um dos pilares da história. O assassinato de uma herdeira, odiada, que roubou o namorado da melhor amiga, prejudicou uma de suas empregadas e se viu envolvida por atos duvidosos de seus familiares ao longo do tempo viram munição para uma narrativa que busca a aflição, o passo em falso, onde o detalhe captado em uma cena será de grande valor nas revelações finais.


O diretor do filme, o britânico John Guillermin, consegue colocar o espectador como uma espécie de mais um personagem. O clima de tensão é constante, é o tipo de filme onde o espectador também consegue brincar de detetive, tentando montar as peças desse tabuleiro tenebroso onde um assassino está presente. Quem já leu o livro vai logo se identificar com a riqueza que é vista nos detalhes, inclusive a direção de arte é impecável.


O elenco é poderoso! Jane Birkin, Lois Chiles, Bette Davis, Mia Farrow, Angela Lansbury, David Niven, Maggie Smith e Jack Warden brindam o público com ótimas atuações. O somatório de indicações ao Oscar dos artistas (por outros trabalhos) é 28, com oito vitórias! E essas filmagens foram realizadas no Egito, em meio a um sol escaldante com temperaturas na casa dos 50 graus celsius!


Lançado 41 anos após a primeira edição do livro de Agatha Christie e vencedor do Oscar de Melhor Figurino, o filme tem uma curiosidade bem legal: algumas cenas foram filmadas no Old Cataract Hotel, em Assuã, no Egito, onde Agatha Christie se inspirou para escrever essa história, durante férias que tirou no final da década de 30.


Para quem quiser conferir, o filme está disponível no catálogo da Prime Video.



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