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Crítica do filme: 'Blondi'


O refúgio de quem não quer ser adulto. Primeiro trabalho na direção da atriz argentina Dolores Fonzi, também a protagonista, Blondi nos leva para uma jornada sentimental de altos e baixos que enfrenta uma mulher com síndrome de Peter Pan quando começa a perceber movimentos para frente dos que a cercam. A narrativa e seu ritmo cadenciado, que busca nos detalhes os pontos de reflexões, navega pelos conflitos dos ótimos personagens de maneira leve, divertida, mas sem deixar um forte ar de incertezas.

Na trama, conhecemos Blondi (Dolores Fonzi), uma mulher imatura, perto dos 40 anos, que trabalha em uma empresa que produz uma espécie de Censo. Mãe desde os 15 anos do já adulto Mirko (Toto Rovito), preenche as lacunas do seu cotidiano indo de um lado para o outro com o filho e sendo amiga dos amigos dele. Quando algumas decisões de pessoas próximas a ela acontecem, Blondi começa a perceber que não tem como controlar os rumos da vida dos outros, fato que acaba também a fazendo passar por transformações na sua própria.

Lançado no segundo semestre do ano passado no catálogo da Prime Video, Blondi é muito mais do que um filme que aborda a maternidade, é um recorte e uma análise sobre a vida de uma mulher e suas descobertas sobre o estar em conflito. Muito fiel as suas convicções de não mexer na bolha que criou, mescla suas ações com um ar de imaturidade misturado com irresponsabilidade, como se não importasse o que os outros pensam sobre ela. A construção dessa personagem é a alma do roteiro. Muitas vezes enigmática, transmite um forte carisma.

Esse é um filme de personagens, onde a realidade com os altos e baixos se tornam um forte paralelo de identificação com o espectador. E não é só a protagonista que brilha. As subtramas dos ótimos coadjuvantes entram de forma complementar, como gatilhos para a protagonista. Assim chegamos no dilema do filho em busca de um sonho, da irmã que revira a vida infeliz que leva e parte rumo à novas aventuras. Até mesmo na visão de Pepa (Rita Cortese), a vovó parceira das filhas.

Exibido no Festival de Sán Sebastian 2023, Blondi é um filme pouco conhecido no Brasil. Uma pérola intimista com um simpático convite para reflexões. Pra quem se interessar, está disponível no catálogo da Prime Video.


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