Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Blackberry'


Um recorte do início de uma era. Num tempo onde a busca pela informação em um único dispositivo traçaria as novas tendências tecnológicas de um frequente dinamismo no campo da comunicação, existiu uma empresa que saiu na frente e marcou seu nome na história. Blackberry, terceiro longa-metragem da carreira do ator e diretor canadense Matt Johnson, mostra em alguns recortes momentos chaves de uma meteórica ascensão e a brusca queda de uma das primeiras gigantes da comunicação via smartphone. Com uma narrativa empolgante, repleto de humor na linha do sarcástico, o filme vai a fundo num mar de emoções em conflitos que passam seus protagonistas.

Na trama, conhecemos Mike (Jay Baruchel) e Doug (Matt Johnson), dois amigos, nerds, que ditam o ritmo em uma micro empresa de tecnologia buscando algum dia alçar voos mais altos no setor de comunicação. Em certo momento, o destino da dupla se cruza com Jim (Glenn Howerton), um experiente homem de negócios que enxerga em um projeto dos amigos um grande potencial. Assim, entre decisões movidas pela emoção, amizades estremecidas e lidando de forma atabalhoada com a iminência da concorrência, no fim dos anos 90, nasceu o primeiro famoso smartphone da história, o Blackberry.

O contexto é importante para uma melhor compreensão do que acontece por aqui. O boom tecnológico ligado a comunicação estava prestes a acontecer, o Blackberry foi criado em um cenário onde a demanda pelo máximo de informações em um dispositivo móvel estava carente. Mike e Jim conseguiram se posicionar nesse mercado feroz, fazendo o que cada um era bom: o primeiro nas genialidades ligadas a inovação e segurança da informação, já o segundo sua capacidade impositiva de lidar com acordos e negócios.

Os arcos dos personagens são complementares, há uma desconstrução muito bem feita, o que transforma o filme em um explosivo retrato sobre dilemas, algo que se segue até a conclusão de conhecimento público quando não souberam lidar com a concorrência das gigantes Google e Apple.

Para contar essa história, uma referência foi importante. Baseado na obra Losing the Signal: The Untold Story Behind the Extraordinary Rise and Spectacular Fall of BlackBerry escrita pelos jornalistas Jacquie McNish e Sean Silcoff, o filme navega pelas emoções de personagens em eternos conflitos buscando assim um poderoso recorte dos motivos que trouxeram o sucesso e o fracasso. A narrativa brilha com seu dinamismo, com muitas informações que estão associadas a outras pelas entrelinhas.

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...