Pular para o conteúdo principal

Pausa para uma série: ' True Detective – Terra Noturna'


Os fantasmas do lado de fora. Um pequena cidade com muitos conflitos e misteriosas mortes é a porta de entrada para a proposta de imersão em uma história com personagens no limite emocional num lugar e época onde os dias viram noites. True Detective – Terra Noturna, quarta temporada do aclamado seriado, possui um discurso onde o roteiro e a narrativa andam lado a lado: traumas no passado refletindo no presente. Protagonizado pelas ótimas Jodie Foster e Kali Reis, True Detective – Terra Noturna, com seus seis episódios mistura o drama e o suspense em um fórmula que encaixa.

Na trama, conhecemos a chefe de polícia da gelada cidade de Ennis, no Alaska, Liz Danvers (Jodie Foster), uma mulher com problemas no relacionamento maternal com a filha do ex-companheiro que comanda a investigação de uma misteriosa morte que envolve cientistas de uma estação de pesquisas da região. Ao longo da investigação, esse caso parece estar ligado a outro, o de uma ativista morta no passado, fazendo com que Danvers se junte a ex-parceira Evangeline Navarro (Kali Reis) em busca das respostas de um enorme quebra-cabeça.

Dramas profundos nas vidas pessoais das protagonistas ditam o ritmo sem esquecer das respostas que chegam gradativamente. Com cerca de uma hora de duração por episódio, tempo suficiente para ir a fundo nos principais conflitos dos personagens, essa nova temporada mostra desde o início que cartas estão na mesa a todo instante mas embaralhadas, associadas a algumas perguntas sem respostas.

Não existe nada além de nós. Será? O flerte com o inexplicável fica no campo dos suposições. Nos perguntamos: Há algo ligado ao sobrenatural? Uma maldição? Esse contexto amplamente interpretativo acaba refletindo no discurso, as famílias e suas rupturas. A fé e o confronto com o cetismo ganha espaço trazendo questões relevantes.

O estado de solidão, culpa e seus embates consigo mesmo e os outros, acaba levando personagens a confrontos surpreendentes com os traumas de outrora. No final das contas, pra quem já sabe sobre os mistérios que chegam no último episódio, a temporada se resume a sobre como fechar as portas abertas.

Com alguns episódios brilhantes, como o quinto, True Detective – Terra Noturna, rodado na Islândia, traça um raio-x profundo de pessoas respondendo sobre seus atos e os limites do ser humano ao escorregar nas linhas da moral.

 

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...