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Crítica do filme: 'Uma História em Montana'


Os novos passos de uma família. Caminhando pelo estado da solidão forçada, nos laços em dificuldades para uma nova união, Uma História em Montana é uma bomba relógio de emoções onde as barreiras do medo buscam encontrar o perdão. Dirigido pela dupla Scott McGehee e David Siegel, a narrativa possui um ritmo constante, se fortalece pela força dos diálogos, no desabrochar de almas amarguradas com um passado preso em decepções. Haley Lu Richardson e Owen Teague estão absolutamente fabulosos em cena, transbordando emoções para seus complexos personagens.

Na trama, conhecemos Cal (Owen Teague), um jovem estudando para ser engenheiro civil  volta às pressas para o rancho da família no Estado de Montana para ajudar no momento crítico em que se encontra seu pai, à beira da passagem. Buscando resolver os problemas burocráticos, afetado pelas dívidas de seu progenitor, acaba reencontrando seu irmã Erin (Haley Lu Richardson), após sete anos. Os irmãos, que se mantiveram distantes durante todo esse tempo, precisarão encontrar novas formas de entender um ao outro, além de resolver um impactante trauma do passado.

O que acontece com o amar nessa família? Um pai de passado duvidoso, à beira da morte, vira o epicentro para atualizações do hiato entre os irmãos, que se mostram constantes, virando peças numa nova forma de enxergar os caminhos iminentes. Como resolver o que ninguém quer falar? Será que a situação próxima do abismo da vida fará novos pensares chegarem como forma de resoluções? A extensa minutagem, cerca de duas horas de projeção, nos apresenta perguntas que são respondidas entre situações que se chocam, do presente ao passado, através de memórias vivas daquele lugar.      

A fuga é o caminho mais fácil para não pensar em um conflito. Buscando distância do enfrentar, a jornada dos personagens é algo próximo de uma redenção para que seus próprios caminhos se tornem menos dolorosos. A região da gelada Montana ajuda a criar o clima de reclusão das emoções, a fotografia busca nos detalhes e imagens passar a aflição, sentimento que vai de encontro à dor e a culpa. Uma História em Montana é cirúrgico ao relatar as fraquezas humanas, uma necessidade de um equilíbrio muitas vezes perdido pelo tempo.


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