Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Diga-me Baixinho'


Um coração, dois amores. Mesclando o drama e o romance com toques de suspense, explorando fases da vida de alguns jovens entrelaçados por uma situação do passado, a nova série do PRIME VIDEO, Diga-me Baixinho, avança pelo melodramático para recortar o choque entre a culpa, a paixão e o perdão. O projeto, logo após sua estreia, alcançou o Top 1 da plataforma.

Baseado em uma obra da escritora argentina Mercedes Ron – o primeiro livro que faz parte de uma trilogia - o projeto se projeta em cima de uma premissa: não há soluções fáceis para o amor, avançando em uma fórmula desgastada para fisgar o público mais jovem, naquela linha de Elite, ou mesmo das antigas One Tree Hill e The O.C. Notem que encontrei o paralelo com séries que tiveram longas temporadas para se desenvolver, mas a receita é a mesma – até porque uma trilogia provavelmente nos aguarda.

Kami (Alícia Falcó) é uma jovem popular do ensino médio em uma escola de elite. Sempre rodeada pelas amigas mais próximas, vê seu castelo de cartas da perfeição ruir quando os irmãos Di Bianco - Taylor (Diego Vidales) e Thiago (Fernando Lindez) - retornam à cidade após um acontecimento trágico ocorrido há pouco menos de uma década. Antes muito ligada a eles e agora sem saber o que acontecerá, Kami embarca em uma jornada de escolhas e paixões, buscando se desprender dos traumas do passado.

O roteiro empurra suas revelações para um ‘gran finale’, ficando à mercê de uma narrativa dosada e com clima de tensão, que por vezes escorrega em soluções convenientes. Um fato que ajuda é a utilização do flashback para ajudar a construção dramática e desenvolvimento dos personagens, revelando algumas camadas - ligando o passado ao presente. Nesse princípio narrativo de causa e efeito, uma atmosfera com sensação constante de tensão busca explorar temas como sexualidade, a traição, o luto e a tragédia.

Com filmagens realizadas em Barcelona, Santiago de Compostela e em outras localidades da Espanha, Diga-me Baixinho é mais uma história de drama adolescente que não foge do comum e que ainda possui um final aberto, dando margem a interpretações. Ainda se completará e, torcemos, explorará as consequências das ações de seus pouco carismáticos personagens com mais eficiência.

 

 

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...