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Crítica do filme: 'Um Outro Francisco'


Dois fotógrafos estrangeiros. Um evento religioso de um famoso santo italiano em terras cearenses. Com essas duas vertentes se unindo por um tour fascinante, objetivo e reflexivo sobre o universo da fotografia, o documentário Um Outro Francisco, dirigido por Margarita Hernández, amplia o olhar para os espelhos culturais através dos personagens que encontram.

Expandindo os horizontes do inesperado e abrindo caminhos para um trabalho fotográfico instigante, a dupla Dario De Dominicis e Giorgio Negro assume, simultaneamente, os papéis de protagonista e coadjuvante em um registro documental que transita pelo essencial e alcança novas formas de compreender as conexões culturais. Descobrindo que na cidade de Canindé (Ceará) acontece uma concorrida celebração dedicada a São Francisco, durante cinco anos resolvem produzir registros dos fiéis e moradores locais.

Com uma estrutura bem delineada — com início, meio e fim — a jornada, que se estende de 2013 a 2017, revela ao longo do tempo imagens e movimentos que caminham juntos rumo a um destino que se confunde com o próprio discurso: a troca de significados por trás dos registros. Os instantes, os sentimentos, os desabafos, as curiosidades, aqui se jogam num contexto sobre a fé, logo virando um laboratório de exposição sobre as emoções genuínas.

Os diferentes olhares e os diálogos em torno do que esperar – num jogo corajoso entre fotógrafos e fotografados - através do que foi registrado, preenche a narrativa com um dinamismo que transmite luz para as linhas que se aproximam (muito mais do que se distanciam) entre a arte e as ferramentas para se chegar num recorte profundo sobre identidade.

Um Outro Francisco chegou recentemente ao circuito exibidor de algumas cidades. É um filme simples, mas potente em suas reflexões. Com menos de 80 minutos, consegue expandir seus questionamentos para além da fotografia, utilizando o audiovisual como um recurso essencial para capturar e transmitir suas verdades.


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