Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Argus Montenegro e a Instabilidade do Tempo Forte'

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Dirigido pelo cineasta Pedro Lucas, o documentário gaúcho Argus Montenegro e a Instabilidade do Tempo Forte é uma aula de história da musicalidade brasileira dos últimos 50 anos, contada pelo protagonista, o genial baterista Argus Montenegro. Usando a música, e principalmente as batidas da bateria, vamos aprendendo, por meio de curiosidades, um pouco mais sobre a cultura brasileira e todas suas origens relacionadas à musicalidade.

Nos curtos 80 minutos de projeção, vamos acompanhando histórias e mais histórias que envolvem as incríveis batidas de bateria e os dramas pessoais de Argus Montenegro. O personagem principal gosta de tocar Jazz e samba, virou uma referência em sonoridade, no ambiente musical, não existe quem não conheça Argus. Com suas baquetas frenéticas nas mãos e seu jeito cativante de Forrest Gump, esse velhinho viciado em bateria é um personagem super interessante, que merece ouvidos de todos atentos para suas eletrizantes histórias.

Nunca tirando do pé um all star das antigas essa verdadeira enciclopédia da música brasileira tem um temperamento forte, fruto talvez de sua espontaniedade e hiperatividade. Uma das partes mais legais do documentário, é quando Argus lista em voz alta (em um caderninho antigo) todos os cantores que ele já acompanhou com sua bateria, nomes como: Sergio Mendes, Tom Jobim, Elis Regina, Cauby Peixoto, Paulinho da Viola, Emílio Santiago, Aguinaldo Rayol e outros grandes músicos da música popular brasileira.


Além de tudo que listamos acima, é muito bonito ver um senhor de idade se divertindo no seu ‘brinquedo’ que vira diversão e seu ganha pão há tantos anos. Argus é um daqueles notáveis brasileiros, raros, que se desenvolvem e transformam-se fazendo aquilo que amam. Tá na alma, ta no coração. Vale a pena sentir essa emoção.  

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...