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Crítica do filme: 'Roman J. Israel, Esq'

Felicidade não existe, o que existe na vida são momentos felizes. Após o ótimo O Abutre, lançado cerca de quatro anos atrás, o roteirista e cineasta Dan Gilroy volta para a cadeira de diretor, dessa vez, para contar a curiosa história de um advogado que praticamente redescobre a vida profissional, e também pessoal, após o falecimento de seu antigo sócio. Na pele do protagonista, novamente vemos um desfile de habilidades em cena de Denzel Washington, que nos brinda com mais uma bela interpretação, quase sempre com personagens complexos que chegam aos nossos olhos com imenso carisma. Merecida indicação ao Oscar desse ano na categoria melhor ator.

Na trama, conhecemos o inteligente advogado Roman J. Israel (Denzel Washington) que trabalha faz muito tempo em uma firma de advocacia que ajudava pessoas de baixa renda. Roman sempre ficava como coadjuvante, não ia aos tribunais, conhece todos os casos e os ajuda na resolução mas sempre ajudando por trás da cortina. Quando inesperadamente seu sócio falece, o protagonista é envolvido mais a fundo na situação da empresa e acaba tendo que começar a aparecer mais, encontrando novos lugares e conhecendo de perto mais pessoas que mexem com a Lei.

O projeto possui um desenvolvimento interessante, onde cada arco contribui para a formação de um quebra cabeça existencial ligado ao modo de enxergar o mundo da lei do curioso personagem. Lutando contra seu destino incerto, Roman se sente perdido em sua trajetória após ficar atrás das cortinas durante mais de duas décadas e eu agora precisa buscar outro espaço para suas causas, conhecendo novas pessoas que muitas vezes, pensam bem diferente dele, ou, não acompanham suas ideias.

Dentro de suas excentricidades, Roman acaba descobrindo maneiras curiosas de encontrar a tão sonhada liberdade, mesmo que isso o coloque sempre em evidência e bastante exposto em inúmeras situações. A virada do personagem acontece várias vezes ao longo dessa trajetória, comete um erro grave e esse fato acaba sendo a porta de entrada para um desfecho profundo e repleto de significados.

Persistente em suas ideias, sempre com seu fone de ouvido Sony tocando belas canções, com seu jeito desajeitado de andar,  Roman J. Israel, Esq é um personagem fascinante que vale o filme.

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