Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Um Lugar Silencioso'


O silêncio mais apavorante dos últimos tempos quando pensamos em cinema. Depois do sonolento Família Hollar, sua primeira aventura na direção de um longa-metragem, o ator e cineasta norte-americano John Krasinski, famoso por papéis na famosa série The Office e creditado em mais de quarenta filmes ao longo da carreira, volta para trás das câmeras dessa vez para um projeto ambicioso onde trabalha elementos de ritmo e interação poucas vezes vistos em filmes de suspense/terror. Um Lugar Silencioso possui uma força gigante em seu roteiro, com uma adequada direção de Krasinski, além de vários pontos de clímax, culminando em um desfecho para lá de épico.

Na trama, conhecemos uma família que se comunica pela linguagem de sinais e o espectador é surpreendido em sua ambientação, aparece um Dia X na tela. Durante os primeiros quinze minutos somos envolvidos no espaço/tempo da história, descobrindo aos poucos o porquê das ações estranhas dos personagens. Tentando reverter uma situação apocalíptica, e completamente isolada em uma casa gigante, a filhos dessa família aprenderão aos poucos regras de sobrevivência nesse mundo completamente novo e repleto de perigos causados pelo som.

Impressionante como a mistura de gêneros funciona com perfeição. Suspense, drama, terror, sci-fi são embutidos cada qual na sua medida correta, criando uma atmosfera que passa para quem assiste, provocando um tenso silêncio durante grande parte da projeção. Os arcos do roteiro são muito bem definidos, cenas de alto impacto  acompanham grande parte do desenvolvimento da narrativa. As óticas definidas por subnúcleos. A dos filhos, a do casal e as individuais, se tornam peças de um quebra cabeça angustiante dentro de um contexto de sobrevivência. As atuações são excelentes, Emily Blunt e John Krasinski (além de diretor, é um dos protagonistas), casal na vida real, dão vida aos pais da família.

Gratíssima surpresa no circuito. Chega para preencher um lugar não só na galeria carente de bons filmes de suspense esse ano, mas também para se consolidar na memórias de nós cinéfilos como um dos filmes mais originais de 2018.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...