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Crítica do filme: 'Viver Duas Vezes'


Certas histórias não precisam ser perfeitas para emocionar. Dirigido pela cineasta espanhola Maria Ripoll, Viver Duas Vezes, mais um filme lançamento no super catálogo da Netflix desses últimos meses, é uma linda fábula sobre o amor que percorre barreiras do tempo e quando o destino chama, entendemos o porquê é tão lindo viver. O roteiro de María Mínguez transborda simpatia apoiado na construção não original de um protagonista rabugento mas que vai se abrindo conforme as situações acontecem. Nesse caso, a fórmula dá certo pela competência e brilhantismo do grande ator argentino Oscar Martínez

Na trama, conhecemos o mal humorado ex-professor de matemática Emílio (Oscar Martínez), um homem no terço final e sua vida que dedicou grande parte de seu tempo na terra para decifrar os enigmas da famosa ciência mais exata, chegando até a encontrar um desconhecido número primo. Quando essa mente brilhante é diagnosticado com Alzheimer, sua filha Julia (interpretado pela ótima Inma Cuesta) e sua neta Blanca (Mafalda Carbonell em uma atuação marcante e emocionante em muitos momentos) se aproximam dele e juntos partem em uma inusitada aventura em busca do primeiro amor de Emílio.

O filme toca em temas interessantes, mesmo que não haja profundidade, talvez até pelo tempo. Casamentos e seus problemas, a deficiência física, o relacionamento entre família, o projeto busca soluções para todos esses temas ou melhor, demonstram de maneira muito verdadeira ações para o não deixar a vida ficar triste. Essa troca de gerações, principalmente na relação avô e neta é ótima, encaixa com perfeição nas linhas do roteiro. Pai e filha também tem vários embates, mas provam que onde não falta amor não falta nada.

É um bonito filme, uma metáfora sobre a idade passando pelas gerações e como toda família, mesmo sem ser perfeita por conta das personalidades, nunca deixa de estar unida de alguma forma.

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