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Crítica do filme: 'Aqueles que Ficaram'


Almas solitárias em tempos incertos. Dirigido pelo cineasta francês Barnabás Tóth e indicado da Hungria ao Oscar 2021 na categoria Melhor Filmes Estrangeiro, Aqueles que Ficaram é construído através de arcos objetivos dentro de um roteiro pouco contextualizado. Somos testemunhas de um grande bate-papo através do cotidiano e das atualizações sobre o mundo entre duas pessoas de gerações diferentes mas que de alguma forma sofreram com a segunda guerra mundial. Religião, família, pensadores, os assuntos vão variando conforme o tempo passa, um ao outro se ajudam. Lento e confuso em alguns momentos, o projeto necessita de paciência para refletirmos sobre o desenvolvimento dos personagens e sobre o contexto em que estão.


Na trama, conhecemos o médico ginecologista Körner Aladár (Károly Hajduk), um homem com um passado marcado por dor e sofrimento que atualmente, em um mundo no pós guerra, busca algum novo sentido para sua vida. Certo dia, acaba conhecendo a jovem Klára (Abigél Szõke), uma inteligente menina que também, mesmo com pouca idade, sofreu com a perda de parentes queridos na guerra, e logo os dois formam uma conexão, e buscam se ajudar na retomada de suas vidas longe da guerra.


A força de um abraço. A relação que acontece é de ajuda mútua, a solidão em que ambos vivem se tornam grandes debates sobre pensadores e diretrizes do mundo onde vivem. Ambos assíduos leitores, Klára inclusive sabe algumas línguas, conseguem se conectar pela inteligência também mesmo o passado de ambos sendo um grande tabu que não comentam muito nem um com o outro. Por simples gestos, vamos decifrando aos poucos a personalidade de ambos, principalmente da jovem que escreve mensagens em forma de diário para os pais que não estão mais perto dela.


Aqueles que Ficaram é melancólico em sua essência, também não é para menos, é ambientado em um momento de reconstrução de milhares de vidas que sofreram os horrores de uma guerra que deixou sequelas para sempre em nosso planeta.

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