Pular para o conteúdo principal

E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #230 - Carlos Redel


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nosso entrevistado de hoje é cinéfilo, de Porto Alegre. Carlos Redel é o fundador do site de cultura pop Sala Crítica, tem 28 anos, é jornalista, radialista e membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (Accirs).

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

O meu cinema preferido é o Espaço Itaú, que fica no Bourbon Country. As salas passam tanto blockbusters quanto filmes independentes, em um ótimo equilíbrio.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

O primeiro filme que eu vi foi Tarzan, em 1999, mas me senti realmente fisgado pelo cinema com Fantasia 2000, que chegou ao Brasil em 2000. Foi fantástica a experiência.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Pergunta difícil. Atualmente, meu diretor favorito é o Robert Zemeckis e o meu filme favorito dele é Contato. Mas sou fã de vários outros, como Paul Thomas Anderson, Steven Spielberg, Denis Villeneuve, Akira Kurosawa, Alfonso Cuarón, James Gray...

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Cidade de Deus. É uma obra perfeita. Um dos melhores de todos os tempos.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Amar o Cinema e tudo o que ele representa.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Na maioria dos lugares, creio que não. As salas apenas colocam na sua programação filmes que poderão render mais dinheiro. Felizmente, temos alguns recantos especiais, como o já citado Espaço Itaú.

 

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Acabar, creio que não. Certamente, irão passar por mudanças, que foram aceleradas pela pandemia. Porém, a experiência nas salas de cinema não será substituída. Claro que filmes menores vão perder espaço, mas eles encontrarão nova vida no streaming.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Recomendo o próprio Contato, que foi citado acima. Surpreendentemente, poucas pessoas que eu conheço assistiram.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Não. O Sala Crítica, site do qual sou fundador, inclusive, se posicionou contra a reabertura das salas. Não fomos nas cabines e alertamos os nossos leitores sobre os perigos de ir aos cinemas durante a pandemia.

 

10) Como voce enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Excelente. Cada vez mais, grandes obras são produzidas por aqui. Pena que o povo brasileiro não reconhece...

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Essas perguntas são difíceis, porque sempre falta alguém. Mas, entre atores e diretores, Sônia Braga, Regina Casé, Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho, Fernanda Montenegro, Jorge Furtado, Dira Paes, Tabajara Ruas, Milhem Cortaz...

 

12) Defina cinema com uma frase:

"o cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho", de Orson Welles.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Caramba, foram tantas. Mas uma que eu acho muito legal foi quando estávamos para assistir Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 (nem os trailers tinham começado ainda), um senhor recebeu uma ligação e começou a gritar: "O emprego é meu? O emprego é meu? Não acredito!" A sala inteira começou a aplaudir ele, que saiu correndo e agradecendo. Deveria ser um emprego ótimo, né?

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Icônico.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Se um diretor consegue contar uma boa história e emocionar, ele fez o seu trabalho. É o que importa.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

Já vi muitos filmes ruins. Mas, entre os mais recentes, tive que ir na cabine de Cinquenta Tons de Liberdade e, nossa, terrível. Um filme todo errado, com mensagens erradas... Tenebroso.

 

17) Qual seu documentário preferido?

Como um fã incondicional de Jim Carrey, amo Jim & Andy. Mas tem muitos outros incríveis... Recentemente, por exemplo, vi AmarElo: E Tudo Pra Ontem, do Emicida, e é perfeito. É muito complicado escolher um "favorito".

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?  

Já. Poucas vezes, mas já.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

Adoro o Nicolas Cage. Sem dúvidas, Despedida em Las Vegas é o melhor dele. Mas adoro Adaptação, A Outra Face, O Sol de Cada Manhã, O Senhor das Armas, A Lenda do Tesouro Perdido...

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

O meu, claro: salacritica.com.br.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...