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Crítica do filme: 'Asia'


A única coisa que consegui de um homem foi você. Indicado de Israel para o Oscar desse ano, Asia é um pequeno recorte na vida de mãe e filha, os altos e baixos dessa relação que se mostra afastada, distante, mas que ressurge quando precisam enfrentar um dos maiores dramas que uma pessoa pode passar com uma iminência triste. É um filme muito doloroso, onde o foco é quase total na rotina da mãe, uma enfermeira, cuidadosa com seus pacientes mas submersa por uma melancolia por não conseguir olhar pra frente e ver a tão sonhada felicidade. Primeiro longa-metragem da cineasta Ruthy Pribar.


Na trama, conhecemos Asia (Alena Yiv), uma enfermeira batalhadora perto dos 35 anos que se encontra em um momento muito delicado de sua vida. Ela se relaciona com um médico casado, curte longas baladas após o serviço e em casa, sua adolescente filha Vika (Shira Haas) começa a demonstrar mais fortemente uma doença em constante evolução que aos poucos vai tirando seus movimentos. À beira do desespero, Asia resolve tentar melhorar o relacionamento com sua filha, que sempre fora bastante difícil.


Há uma melancolia explícita espalhada pelas ações e até mesmo inconsequências das personagens, de gerações diferentes, óbvio, mãe e filha precisam se encontrar antes que seja tarde mas anos de angústia e muros colocados atrapalham muitas das tentativas gerada pelos últimos desejos da filha perto de um desfecho sem saída para sua condição. Há muita verdade nos olhos dos personagens, em 90 minutos Pribar consegue com suas lentes captar a emoção que navega da tristeza ao êxtase mas como se fosse utilizada como saída para o caminho do esquecimento da realidade que as aflora.

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