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E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #399 - Julia Rigaud


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nossa entrevistada de hoje é cinéfila, de Salvador (Bahia). Julia Rigaud tem 25 anos, é psicóloga e psicopedagoga. Apaixonada por cinema, teatro e literatura. Além disso, também gosta muito de atividades físicas, principalmente as que desafiam o corpo como as modalidades circenses.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Aqui em Salvador, existe a Saladearte no shopping Paseo e no cinema da UFBA. Essas salas me agradam, pois costumam exibir filmes fora do circuito comercial.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

A magia do cinema esteve presente na minha vida. No entanto, a experiência que evidenciou o espaço físico do cinema, foi quando assisti um filme de terror, na época da minha adolescência. A sala estava cheia e todos gritavam muito. Algumas pessoas pareciam se segurar na cadeira. Lembro de comentar que me senti em uma “montanha russa”. Acabou sendo divertida a experiência de ver tantas pessoas se agoniando juntas, pois apesar de gostar de filmes de terror, sou muito medrosa. Então aquela histeria coletiva foi acolhedora. Certamente uma vivência diferente do que assistir ao filme em casa sem sentir que estava compartilhando o medo com dezenas de pessoas.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Essa pergunta é difícil, pois percebo como a minha preferência por determinados diretores muda com o passar do tempo. Posso dizer que atualmente estou viciada no Gaspar Noé. Apesar de seus enredos explorarem muito a degradação humana a estética que ele encorpa para suas histórias me captura. Meu filme favorito dele é Love.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Aquarius. Consigo ver muito conteúdo nesse filme. Além da clássica denúncia sobre os valores da classe média que o Kleber Mendonça trabalha tão bem, o filme defende a importância da memória, de valorizarmos a nossa história. Pra variar, a valorização dos artistas brasileiros e da cidade Recife, são mensagens transmitidas naturalmente na trama. Mas a cereja do bolo é a protagonista. Clara é uma personagem autoconfiante, que transmite uma firmeza proporcional à opressão que sofre. Ao mesmo tempo, cheia de camadas e misteriosa, bem como o clima do filme: sempre parecendo que tem algo por trás do exposto.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Apreciar filmes. Basicamente se interessar e leva-los a sério. Não no sentido de se proibir assistir comédias “pastelonas” ou algo do tipo. Mas assistir filmes no intuito de ter uma experiência, de se deixar levar por aquele universo independente do gênero. Não colocá-lo como um “plano de fundo” enquanto mexe no celular ou cozinha, ou conversa...

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Acredito que possuem programações feitas por pessoas que entendem de negócios. Basicamente mentes empresárias que percebem as tendências do consumo de massa, e promovem obras “palatáveis” em uma intenção mais financeira do que cultural.

 

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Não sei. Sou muito nostálgica e gosto de pensar que não. Independente da facilitação do acesso aos filmes com o serviço de streaming, nada se compara a assistir um filme em uma tela enorme, com equipamentos de som de alta qualidade, sem a opção de dar stop, atender celular, ou realizar qualquer outra atividade que te “tire” do filme. Isso claro, considerando pessoas educadas que não ficam comentando constantemente em voz alta e olhando o celular. No entanto, há alguns anos, a ideia de assistir um filme pela tela do celular era considerada absurda, então não duvidemos de nada. Faço votos de que o cinema continue.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Mãe só Há Uma, de Ana Muylaert.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Não. Nesse caso só temos que agradecer pelos streamings e internet.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Acredito que temos uma ótima qualidade, mas pouco reconhecimento dos próprios brasileiros, o que dificulta a obtenção de recursos para crescer o nosso cinema.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Kleber Mendonça e Karim Ainouz.

 

12) Defina cinema com uma frase:

Uma história composta de luz, som, e sensações.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Quando tinha quinze anos, comprei uma entrada “inteira” para assistir à Bruna Surfistinha sem ser barrada pela faixa etária (acho que era para 18 anos). Ao me acomodar na sala, uma mulher se sentou ao meu lado e começou a falar sobre ter terminado com o namorado recentemente e decidir ir ao cinema para “espairecer”. Lá estávamos as duas em situações atípicas. Até hoje lembro dos breves comentários que ela fez durante o filme mas nunca voltei a encontrá-la.

 

14) Defina “Cinderela Baiana” em poucas palavras...

Nem quis ver...

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo? 

 

Para dirigir, não necessariamente. Mas certamente para dirigir bons filmes, sim. Mas essa informação é nova para mim. Não se porquê alguém iria querer dirigir um filme sem ser apaixonado por cinema...

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida? 

Norbit.

 

17) Qual seu documentário preferido? 

Elena.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?   

Já, Os dois Filhos de Francisco, mas não puxei as palmas. Certamente eu bateria palmas para O Rei Leão (1994).

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu? 

The Family Man.

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Omelete.

 

 

 

 

 

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