Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'À Espreita do Mal'


Nada é o que parece ser. À primeira vista, À Espreita do Mal parece um filme de assombração como tantos outros que assistimos ano após ano mas uma rebobinada na não lineariedade do roteiro nos leva à outros pensares, outras perspectivas, sendo a grande sacada do filme. Dirigido pelo cineasta britânico Adam Randall (em seu primeiro longa-metragem como diretor), e com um ótimo roteiro assinado por Devon Graye, o filme, disponível na Netflix, é um grande achado em um ano com poucas boas opções de lançamentos.

Na trama, conhecemos o casal Jackie (Helen Hunt) e Greg (Jon Tenney). Há uma crise profunda no casamento entre essa médica e esse policial pois, no presente, ambos precisam enfrentar uma traição que ainda há muito desenrolar. O filho do casal inclusive está com um ódio mortal da mãe e acha que ela é a culpada por sua família estar em cacos. Certa noite, após dias escutando coisas e vivendo situações estranhas, eles percebem que não estão sozinhos em casa.


Fotografias sumidas, televisores que ligam sozinhos, ruídos misteriosos, vultos que circulam pela casa, colchões sendo puxados...o que você imagina que tá acontecendo? À Espreita do Mal busca nos detalhes chegar ao clímax da tensão que objetiva até mesmo pela ótica da amargura que é nítida em quase todos os personagens. O arco primário é um pouco corrido, muitas informações em pouco tempo, vamos digerindo aos poucos mas por conta de um detalhe escondida na história tudo de repente começa a fazer muito sentido deixando o espectador sem conseguir desgrudar da televisão para descobrir qual vai ser aquele desfecho.

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...