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Crítica do filme: 'Meu Irmão, Minha Irmã'


As diversas formas de amar alguém. Diretamente da Itália chegou à Netflix brasileira a dramédia Meu Irmão, Minha Irmã, escrito e dirigido pelo cineasta Roberto Capucci que conta história de dois irmãos na casa dos 40 anos que se reencontram após um enorme hiato provocado por situações mal explicadas que envolvem o pai dos dois. O roteiro navega no campo das emoções para mostrar a força que exista na relação entre dois irmãos que mesmo amarguradas pelo tempo possuem muito em comum. Sem pretensões, nem lições, há uma busca pelo reflexo existencial com a realidade.


Na trama, conhecemos os irmãos Tesla (Claudia Pandolfi) e Nick (Alessandro Preziosi), dois filhos de um famoso professor de astrofísica que não se veem faz muitos anos e se reencontram de maneira nada amistosa no funeral do pai. Para cumprirem as exigências de algumas cláusulas do testamento, precisam morar juntos na casa que fora da família e assim ao longo do tempo precisam se entender já que muitas coisas não sabem mais um do outro.


O filme se coloca como um raio-x de um relacionamento de dores e incertezas que foi moldado ao longo do tempo tendo altos e baixos (como qualquer relação entre irmãos né?!). O roteiro navega na previsibilidade para mostrar a sua visão de algo mais próximo da realidade. Isso, de fato, deixa o filme embaralhado nos clichês e encostando em outros filmes. Mas se formos partir do princípio de que todo o filme sobre família acaba nos gerando pontos de reflexão constantes, esse projeto italiano, dentro de seus dramas com os coadjuvantes, se torna conclusivo no fechamento de seus arcos como se uma nova jornada começasse a partir de seu desfecho (algo parecido que muitos seriados adotam ao longo de suas incansáveis temporadas).

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