Pular para o conteúdo principal

Pausa para uma série: Succession (1a Temporada)


O poder que reina nos conturbados laços familiares. Uma das sensações no universo das séries dos últimos tempos, Succession é um poderoso drama que nos mostra os bastidores de uma família bilionária e as confusões que eles se metem por conta da ganância incentivada por um pai nada carinhoso. O mérito vem pela lupa que é colocada nas ações e consequências dos seus conflituosos personagens, deixando os intensos episódios com subtramas que vão desde iminente traições até laços de aliança improváveis. A certeza assistindo a esse seriado é que você sempre acabará o episódio surpreendido/pasmo com alguma questão. O elenco é fenomenal!


Na trama, criada por Jesse Armstrong, conhecemos a família Roy, comandado por Logan (Brian Cox) um magnata do ramo da mídia e entretenimento que apavora o mercado com sua mão de ferro no cotidiano do poder. Seus filhos, cada um com suas particularidades o cercam e acabam fazendo parte das estratégias e ações dos negócios da família. O mais velho deles, Connor (Alan Ruck) não quer saber dos negócios da família e sempre arranja uma fuga para não se comprometer. Shiv (Sarah Snook) é a única mulher e trabalha nos bastidores de campanhas de políticos mas sempre está de olho no que acontece na empresa da família. Roman (Kieran Culkin) é um bom vivant, um jovem mimado que gasta o dinheiro de todas as formas possíveis sem ter muito comprometimento com seu cargo na empresa do pai. Kendall (Jeremy Strong) é talvez o principal foco dessa primeira temporada, usa e abusa dos seus embates com o pai para tomar decisões que de alguma forma influenciam os rumos da empresa.


A relação familiar é o epicentro de dramas, disputas, duelos que fazem dessa família disfuncional uma das mais polêmicas já vistas em um seriado. Por conta da disputa pelo poder, já que Logan está em fase de recuperação de uma enfermidade que quase o matou, novas peças são jogadas nesse complicado tabuleiro como Tom (Matthew Macfadyen), marido de Shiv, e o primo Greg (Nicholas Braun), neto do irmão de Logan. Manobras políticas, traições inesperadas, qualquer faísca se transforma em conflitos constantes para muitos dos personagens.


Nessa primeira temporada há um foco maior em Kendall, o filho mais próximo da empresa do pai. A relação entre eles é exposta a todo instante com vários momentos de humilhação de Logan para com Kendall. Esse último é um ex-viciado que busca no sucesso de sua posição no poder ser o primeiro na linha de sucessão de todo o conglomerado erguido pelo pai. Por conta desse conflito há um jogo de interesses que acabam envolvendo inimigos de longa data, um passado com suas marcas e um possível encontro com verdades esquecidas.


Succession tá disponível na Hbo Max e se eu fosse você corria para maratonar!

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...