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Crítica do filme: 'O Bom Patrão'


O malabarismo do suposto equilíbrio. Vencedor do prêmio Goya de Melhor Filme em 2022 (uma espécie de Oscar da Espanha), El Buen Patrón fala sobre a relação entre patrões e empregados que aqui, quase didaticamente, acaba nos levando na direção da realidade, nessa sempre conflituosa relação. Aqui o ponto de vista é do patrão, um manipulador de ações e situações que acaba caindo em verdades do mundo, sendo muitas vezes o vilão da sua própria trajetória. Há outros vilões implícitos, o capitalismo por exemplo e suas formas de corroer. Dirigido e escrito pelo cineasta Fernando León de Aranoa o projeto é sarcástico na medida certa, o que culmina em momentos hilários mas sem deixar de gerar a reflexão. O filme marca uma das grandes atuações recentes na carreira do excelente ator Javier Bardem.


Na trama, conhecemos ao longo de uma semana a rotina de Blanco (Javier Bardem), o proprietário de uma empresa de fabricação de balanças industriais que nos próximos dias irá receber um famoso comitê para ganhar mais um prêmio. A questão é que justo nessa semana importante para seus objetivos, o caos reina em sua rotina pessoal e profissional. Um funcionário demitido acampa na frente da entrada da empresa, o poderoso patrão passa a se relacionar com a nova estagiária sem saber que ela é alguém que já conhecera, um funcionário antigo começa a causar problemas por conta da traição da esposa. Tudo aqui nesse filme pode ser visto como um grande crítica social com o subtópico nas éticas do mundo trabalhista.


Como resolver os diários conflitos? E quais são mesmo esses conflitos? Ao longo de uma semana na vida desse chefão de uma empresa, que fica em uma área industrial da Espanha, vamos acompanhando diversas situações que vão nos mostrando sua personalidade, seus inúmeros deslizes no campo moral e nas ações que influenciam a empresa. Esse homem que busca o carisma a todo instante, vindo de uma família que lhe deu toda a estrutura para seguir profissionalmente no lucrativo negócio criado por seu pai, faz de tudo e sem nenhum limite para conseguir o que quer. Podemos dizer que é um dos inúmeros mimados do capitalismo, que se apoia em brechas, situações controláveis, na teoria de que não há limites para o comando. Isso tudo e muito mais chega em alto e bom tom para quem quiser refletir ao longo de pouco menos de 120 minutos.


O filme mais indicado na história do Goya, com incríveis 20 indicações, nos apresenta também um ótimo paralelo com a questão do equilíbrio, já que na fabricação de uma balança e também na saúde de toda e qualquer empresa essa palavrinha mágica molda ações e reações. A parte moral desse curioso protagonista é jogada ao pensar a todo instante, e com uma interpretação brilhante, Javier Bardem mostra mais uma vez porque é um dos maiores artistas do universo do cinema. Só por ele já vale o ingresso!

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