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Crítica do filme: 'A Felicidade das Pequenas Coisas'


Alguns dos super-heróis do cotidiano são mesmo os professores! Indicado ao Oscar na categoria de melhor longa-metragem estrangeiro representando o quase desconhecido país Butão, A Felicidade das Pequenas Coisas nos mostra a saga de um jovem professor e toda a transformação que acontece em sua vida após ser enviado para dar aulas em uma das escolas mais distantes do mundo. Escrito e dirigido pelo cineasta indiano Pawo Choyning Dorji, o longa-metragem emociona do início ao fim, entre outros refletires mostra ao público a força e a importância da educação.


Na trama, conhecemos o recém nomeado professor Ugyen Dorji (Sherab Dorji), um jovem que mora com sua avó e tem o sonho de seguir carreira na música e ir morar na Austrália. Ele é contratado do governo de Butão exercendo a função de professor e se vê sempre em desilusões nessa profissão. Certo dia é enviado para Lunana, um lugar distante do grande centro, onde para se chegar é preciso caminhar cerca de uma semana. Sem ter o que fazer, ele embarca para o lugar sem saber que lá passará por lições que nunca mais esquecerá em sua vida.


Xô nos confortos do ocidente! Mesmo todos sendo do mesmo país, há um choque cultural muito grande de quem vive nos grandes centros, caso do protagonista, em relação a quem mora nas regiões de alta altitude. Num início tudo é conflito mas a forma de ver o mundo muda bastante para o professor o fazendo entender a importância dos pequenos gestos, das pequenas coisas. Em relações as detalhadas sequências, vemos uma forte passagem sobre as tradições, a fé, o modo simples e objetivo de ver o mundo, o cotidiano com o básico dessa vila de menos de 100 habitantes que fica numa parte do Himalaia. Dentro desse choque cultural, há um diálogo simples mas que faz refletir muito sobre o descongelamento das montanhas do Himalaia por conta do aquecimento global.


A força da educação ganha contornos emocionantes quando pensamos no choque de realidade. Um vilarejo longe das constantes mudanças do mundo, da globalização, das atualizações diárias da tecnologia, possui uma escola sem quadro, sem materiais para o uso básico do aprendizado. Mas o saber, o conhecer, o ensinar, são para os criativos e para os que querem fazer acontecer algo importante e pode acontecer em qualquer lugar, só querer. Conforme vai percebendo o bem que fez aquela comunidade, o protagonista entra em uma auto análise sobre a própria vida, em meio a canções que aprende seus verdadeiros significados.


A Felicidade das Pequenas Coisas é uma pequena obra-prima que nos faz refletir sobre nossas próprias vidas, em tudo que temos e as vezes não damos valor.



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