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Crítica do filme: 'A Outra' (1988)


Quando o inconsciente é despertado através do olhar para o outro. Vida vazia? Fuga de sentimentos intensos? Quem já parou para se fazer essas perguntas ou conhece alguém que já o fez? Trazendo para debate o abstrato dos sentimentos e todos os conflitos provocados por escolhas ao longo de toda uma vida, uma dos ótimos, porém, pouco comentados filmes do cineasta nova iorquino Woody Allen, A Outra, embarca aos poucos em uma volta ao passado, revendo relações, situações, escolhas, a partir de revelações íntimas em conversas do consultório de um psicólogo que fica ao lado do apartamento de uma mulher num presente infeliz. O filme teve como diretor de fotografia, Sven Nykvist que trabalhou em alguns projetos do aclamado cineasta sueco Ingmar Bergman (falecido em 2006).


Na trama, conhecemos a professora e escritora Marion (Gena Rowlands), uma mulher super culta, casada com um médico nada amoroso, frio, seco, chamado Ken (Ian Holm), que aluga um apartamento para escrever um novo livro durante sua licença do cargo de professora de filosofia. Certo dia, percebe que vazam conversas do apartamento ao lado, que é de um psicólogo que recebe seus pacientes diariamente. Numa dessas conversas, o que ela escuta, acaba sendo um estopim para uma difícil e conflitante auto análise sobre o seu atual casamento e outras relações na sua vida. Assim, embarca aos poucos em uma volta ao passado, revendo relações, situações, escolhas.


Décimo oitavo longa-metragem dirigido por Woody Allen, rodado nos últimos três meses de 1987, A Outra busca com seu ritmo lento trazer o refletir através de uma personagem em crise. A partir de relatos profundos, crises existenciais, passando por temas como o casamento, o adultério, o aborto, ao longo de 81 minutos de projeção vemos a vida de Marion aos olhos dos outros girando em torno de ser caracterizada por sua ligação com o racional, deixando as emoções em uma caixa escondida no seu subconsciente. Algo desperta nela após se ver nessa situação, como se a presença de um espelho invisível a fizesse embarcar em novos cenários chegando até arrependimentos do passado, como se possibilidades diferentes da tomadas de decisões, aparecessem na sua frente ao mesmo tempo, causando uma maré incansável de reflexões.


Os sonhos se justificando pela realidade? Uma crise de meia idade? O filme é muito mais profundo do que isso, é um obra que destaca o momento que na realidade chega alguma hora para todo mundo que se transborda nas reflexões caminhando até as novas formas de encarar a vida.



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