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Crítica do filme: 'Casa Vazia'


Um recorte doloroso sobre o olhar de uma caminhada na constante solidão. As aflições de um mundo, sem nem ao menos uma pitada de esperança, é o pontapé inicial de Casa Vazia, dirigido por Giovani Borba, que aborda a falta de oportunidades, o desespero, a inconsequência aos olhos de um homem pacato, sem muitas palavras, que está num presente solitário, abandonado pela família. Perdido no seu cotidiano de perdas, sem muitas escolhas, limitado em relação a estudos, vemos um protagonista que se distancia cada vez mais do que seria uma importante pausa sobre as inconsequências de seus atos. Muito bem filmado, com imagens e movimentos que dão beleza às reflexões da narrativa, o projeto foi exibido no Festival do Rio e chegou ao circuito exibidor nesse ano.


Na trama, conhecemos Raul (Hugo Nogueira), um homem que mora em uma casa simples no meio de uma estrada. Desempregado e com óbvios problemas com bebida num passado muito próximo, se vê em um presente sem opções, fruto da falta de qualificação já que a mão de obra limitada se perde em meio a tecnologia em constante evolução. Pra piorar o cenário, é abandonado pela esposa. Flertando com a tragédia, sua única forma de sobrevivência dentro desse cenário é aceitar o bico de ladrão de gados em ações noturnas repletas de perigos por todos os lados. Assim, conforme situações acontecem, Raul precisará parar e entender as possibilidades do que fazer com sua vida.


Ambientado e filmado na fronteira com o Uruguai, na cidade de Santana do Livramento, município do Rio Grande do Sul de pouco mais de 80.000 habitantes, que tem um foco gigante na agricultura e pecuária, Casa Vazia consegue dentro de sua bolha melancólica explorar os porquês de um personagem principal em conflito abrindo seu foco para o contexto da vida no campo em uma região que associa a falta de oportunidades a rara mão de obra qualificada. O espectador precisa ter paciência porque o desenrolar é lento mas há um simbólico objetivo nisso, as pausas para reflexão são constantes nos levando para um desfecho interpretativo.


Casa Vazia e seus muitos méritos, vai da fé até a crise familiar, passando por constantes ‘bang bangs’ na calada da noite, elementos que se juntam para explicar a falta de solução na vida de um homem que perdeu a esperança faz muito tempo e agora se vê passando por cima das inconsequências, muito pelas dificuldades financeiras, chegando até a sobrevivência, o único foco de uma vida limitada, sem muitas saídas.



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