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Crítica do filme: 'A Miss'


Ambientado em um dos bairros mais deliciosos da zona norte carioca, o longa-metragem brasileiro A Miss levanta a bandeira do pertencimento por meio de uma família e seus conflitos. Escrito e dirigido por Daniel Porto, o filme parte de uma relação conturbada entre mãe e filhos para alcançar temas importantes da nossa sociedade, através de uma fórmula que diverte sem esquecer de encontrar camadas – ainda que, por vezes, beirando à superfície dramática.

Martha (Maitê Padilha) e Alan (Pedro David) são dois irmãos que vivem seus dias em pé de guerra com a mãe, a exigente – e sem paciência - Iêda (Helga Nemetik). Dona de um salão de cabeleireiro, ela está à beira do descontrole e possui uma obsessão por um famoso concurso de beleza. Os irmãos entram em apuros quando Marta descobre que Alan quer participar da competição no seu lugar. A partir daí, contando com a ajuda de Atena (Alexandre Lino), embarcarão em uma estrada de descobertas.

Um dos méritos do roteiro é conseguir chegar na identificação rápida com o público através de situações, o lugar e seus personagens. Há exageros pontuais, situações amplificadas mas que fogem de qualquer estigma de caricatura. Não se prendendo a um tema, consegue ser plural ao entrelaçar questões ligadas ao pertencimento, maternidade, identidade e sexualidade.

Caminhando pelo bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro - com pedaços de Vila Isabel e Maracanã – o projeto disseca as frustrações e as maneiras como encaramos esse sentimento. Em um dos centros dos debates está uma mãe repleta de vulnerabilidades, que criou os filhos sozinha após o falecimento do marido, e cujas ações revelam mais sobre si do que sobre eles, totalmente responsável pelo que cativa. Uma personagem hipnotizante, que transita entre leveza e força, ganhando vida pela bela atuação de Helga Nemetik.

A narrativa sustenta a emoção por meio do presente, preenchendo lacunas com um humor fácil de digerir, sem suavizar as tensões. O amor de mãe e o se aceitar misturam-se a brincadeiras com o delicioso bairro do Grajaú, elevando o filme a um patamar que mescla divertimento e reflexões.

A Miss estreia dia 26 de fevereiro nos cinemas.

 

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