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Crítica do filme: 'Incêndios'


A morte nunca é o fim de uma história. Um dos filmes mais devastadores dos últimos tempos, com um desfecho inesperadamente surpreendente, Incêndios é até hoje a obra-prima do badalado cineasta canadense Denis Villeneuve.  Baseado na peça teatral Incendies, de Wajdi Mouawad, e também, parcialmente baseado na vida da ativista libanesa Souha Béchara, o projeto nos leva de forma impactante para uma história que tem o amor em várias esferas, constante, mesmo esse encontrando uma terra de incansáveis conflitos que se preenchem por verdades nunca ditas. Esse é um daqueles filmes que ficamos pensando durante dias e nunca mais esquecemos.


Na trama, conhecemos os irmãos gêmeos Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Maxim Gaudette) que chegam para a leitura do testamento que a mãe lhes deixou. Após serem surpreendidos com a possibilidade nada remota do pai estar vivo e a descoberta que eles tem um irmão, primeiro Jeanne e depois Simon embarcam para o Oriente Médio para descobrir as verdades escondidas de sua própria família tendo como epicentro a quase inacreditável história da mãe deles, Nawal (Lubna Azabal).


Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Incêndios nos mostra as verdadeiras vítimas de um conflito, a ruptura de uma criação, o despedaçar de um coração materno em sua constante luta por um reencontro. Somado a isso, a narrativa de maneira muito habilidosa nos transporta pra o presente na visão de dois irmãos que se conectam a essa história cada qual no seu tempo. A matemática Jeanne dá os primeiros passos atrás dos desejos da mãe, sendo surpreendida a todo instante e precisa da sua outra metade para completar o restante de ciclo que escondia as verdades sobre a trajetória da própria mãe. Todas as peças são captadas de forma cirúrgica pelas lentes de Villeneuve que mostra um total domínio sobre a história que quer contar.


As ideias só existem se alguém as defende. Filmado na Jordânia e em Montreal, a ambientação da história não é declarada, sabemos apenas que se passa no Oriente Médio, mas entendemos alguns conflitos provocados por adeptos de milícias cristãs direitistas e seus autodeclarados inimigos. O choque entre o passado e o presente se torna uma enorme aula de geopolítica e essa contextualização é um elemento importante, mais um personagem, um ponto fixo que rodeia a saga da protagonista brilhantemente interpretada pela atriz belga Lubna Azabal.


Como dito no início, a morte nunca é o fim de uma história, e por aqui essa verdade transparece até o último minuto. Incêndios possui um final avassalador, que mexe com nossas emoções. Um filme forte, impactante que nunca esqueceremos. Essa obra-prima está disponível no catálogo do Reserva Imovision. Imperdível.



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