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Crítica do filme: 'Os Embalos de Sábado à Noite'


Muito mais do que um filme dançante, Os Embalos de Sábado à Noite joga na tela o machismo descarado fruto de uma juventude repleta de rebeldia, inconsequente, aos olhos de um impactante protagonista que embarca em uma tentativa de desconstrução quando percebe o que o futuro pode lhe reservar se continuar naquela rotina. Dirigido pelo britânico John Badham, e com o roteiro baseado em um artigo de Nick Cohn para o jornal The New York Times, o filme ficou marcado pela sua incrível trilha sonora, com muitas canções famosas (Night Fever, How Deep is your Love?, Stayin' Alive) assinadas pela banda australiana Bee Gees.


Na trama, conhecemos Tony Manero (John Travolta), um jovem perto dos 20 anos, morador de uma Nova Iorque no final dos anos 70, sem sonhos de estudos no futuro, perdido na ilusão de sua rotina de farra com os amigos. Ele trabalha numa loja de construção e faz parte de uma família conservadora, descendentes de italianos, religiosa, inclusive com o irmão padre. Suas discussões em casa são frequentes, parecem não se entenderem, principalmente com o pai que está desempregado. Quando chega à noite, Tony ajeita o topete, pega sua melhor roupa e vai com os amigos arruaceiros para a pista de dança de uma badalada boate local onde arrasa nas pistas de dança. Um dia conhece Stephanie (Karen Lynn Gorney) com quem treinará para participar de um concurso de dança, uma mulher que vai fazê-lo aos poucos refletir sobre a vida que leva.


Ambientado em uma Brooklyn (um dos mais famosos bairros de Nova Iorque) pulsante dos anos 70, Embalos de Sábado à Noite é um forte drama existencial que camuflado de uma narrativa que dá ênfase as cenas de dança que marcaram a trajetória do filme no imaginário dos espectadores, busca refletir sobre os sonhos, oportunidades e os conflitos de um cotidiano limitado a uma bolha criada pelo próprio caminho até ali. Tony Manero busca a desconstrução quando sua bolha é furada por uma pessoa que o faz enxergar novas direções. 


Aqui no Brasil mais de 6 milhões de pessoas foram aos cinemas conferir o filme. O álbum musical com a trilha sonora do filme foi um recordista de vendas, com mais de 20 milhões de exemplares vendidos. O longa-metragem também rendeu a primeira indicação ao Oscar pra John Travolta (na categoria Melhor Ator). Pra quem quiser assistir, o filme está disponível no catálogo do Telecine.

 


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