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Crítica do filme: 'Vampiros de John Carpenter'


Quando pensamos em filmes de vampiros é impossível não citarmos Vampiros de John Carpenter como um dos mais famosos sobre essas temidas criaturas da noite, lançado 25 anos. Depois de uma série de fracassos em sequência, o cineasta e roteirista John Carpenter conseguiu emplacar enfim esse enorme sucesso que só na semana de estreia faturou quase 10 milhões de dólares. Vagamente baseado na obra Vampire$ de John Steakley, essa obra-prima do terror com pitadas de faroeste tem um elenco fabuloso, com personagens na corda bamba da inconsequência, fugindo de questões filosóficas ou até mesmo de qualquer pilar da moral.


Na trama, acompanhamos a jornada sangrenta e bastante perigosa do caçador de vampiros Jack Crow (James Woods), um homem que passa seus dias caçando perigosas criaturas da noite respondendo apenas a igreja por meio de um bispo. Quando em uma de suas missões, um perigoso mestre vampiros chamado Jan Valek (Thomas Ian Griffith) aniquila quase toda sua equipe, em uma emboscada inesperada, Jack embarcará em uma estrada de vingança e destruição em busca de um artefato católico ao lado do amigo Anthony (Daniel Baldwin) e o padre Adam (Tim Guinee).


Com filmagens realizadas no Novo México, o filme nos mostra vampiros que tem puro objetivo destruir o próximo para continuarem vivos, nada de linha de pensamento sobre suas próprias existências nem atalhos para reflexões sobre a solidão. Tudo é muito objetivo, com a selvageria se tornando uma marca dos antagonistas. Tanto Jack como Valek possuem semelhanças mesmo dentro de uma imposição hollywoodiana na quase sempre vista necessidade do esteriótipo do herói e vilão. Essa realidade mais assustadora do elemento vampiro, diferencia esse filme de outros tantos tendo esses personagens.


A narrativa é empolgante com cenas impactantes. Os dilemas circulam os conflitos do personagens de forma dinâmica. O melhor exemplo disso é a subtrama em que se envolvem Anthony e Katrina, um elo se constrói dessa peculiar relação, ela recém mordida, ele se jogando num possível amor mesmo com a iminência da tragédia sendo muito bem entendida pelas partes. A forma como eles lidam com tudo isso acaba sendo um combustível para dar ritmo ao filme se tonando uma peça chave na conclusão.


Uma das chaves do sucesso dessa obra é a composição de seu elenco. James Woods foi uma escolha certeira para o papel do protagonista. Ele, que nunca havia sido um herói de filme de ação e brindou o público com diálogos memoráveis e cenas de ação de tirar o fôlego, dando uma carga emocional conflitante para seu selvagem personagem. Sheryl Lee foi escolhida para o papel da prostituta que vira vampira após sua participação no lendário seriado de David Lynch, Twin Peaks. Daniel Baldwin ganhou seu papel após o personagem que interpretou ser oferecido ao seu irmão Alec, que o indicou. Thomas Ian Griffith consegue se tornar um dos maiores vilões de um filme dos anos 90 dando vida a Jan Valek mesmo com apenas 18 falas em todo o roteiro!


A dubiedade do gênero cinematográfico acaba sendo uma das questões que mais chama a atenção quando pensamos nessa produção. O terror é evidente mas o faroeste se mostra fortemente presente, uma fórmula que dá muito certo. O sucesso foi tanto que a produção ganhou duas continuações: Vampires: Los Muertos e Vampires: The Turning.


Para quem quiser conferir, Vampiros de John Carpenter está disponível para aluguel no youtube por um precinho camarada!



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