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Crítica do filme: 'Soldado Universal'


O faz de conta e seus paralelos com a realidade. Trazendo como protagonistas dois dos rostos mais famosos quando pensamos em filmes de ação de algumas décadas atrás, Jean-Claude Van Damme e Dolph Lundgren, Soldado Universal busca se colocar como uma crítica ao militarismo e as pretensões das grandes potências em transformar soldados em seres imbatíveis. Muito longe da realidade? Talvez! Mas as brechas para as reflexões são inúmeras, principalmente se o espectador conseguir ter um olhar atento em meio a bombas, tiros e pancadarias.


Dirigido pelo cineasta alemão Roland Emmerich, sua primeira assinatura da direção de um filme norte-americano, o longa-metragem conta a história de Luc (Jean-Claude Van Damme), um soldado enviado ao Vietnã no final da década de 60 que após estar entre a vida e a morte, ganha nova chance de vida, mesmo que forçadamente, agora na pele de super soldado, fruto de uma experiência militar. Buscando entender o mundo décadas depois de quase morrer na guerra, Luc é perseguido por Andrew (Dolph Lundgren), um soldado sanguinário que conhece de outros tempos.


Misturando a ficção científica e a ação, a narrativa pratica um exercício de imaginar um mundo com soldados imbatíveis, algo que por si só levaria a vantagens impensáveis em futuras guerras. Essa costura é interessante pois os paralelos que surgem podem também ser vistos como críticas sociais aliadas a um avanço tecnológico. Mas será a força e brutalidade os caminhos para a paz?


As passagens de tempo, começando no fracasso do avanço norte-americano no Vietnã, são importantes para vários recortes que são mostrados. Esse contexto de um período turbulento da história, não só a norte-americana, o antes e depois dentro dessa linha temporal, de duas décadas e meia, faz com que a narrativa caia nas armadilhas dos clichês mas sempre resgatado por possíveis espelhos em relação ao avanço da sociedade e principalmente ao senso crítico que caminha em forte crescente.


Com um orçamento perto dos 20 milhões de dólares e uma receita que superou a casa dos 100 milhões somente em bilheteria em todo o mundo (na primeira semana faturou logo 10 milhões estando presente em quase 2.000 salas), Soldado Universal logo se tornou um enorme sucesso na carreira do astro belga Jean-Claude Van Damme. Inclusive Van Damme e Lundgren estiveram presentes na mega divulgação do filme no Festival de Cannes no início dos anos 1990, fato que ajudou o marketing da produção em uma era onde a internet ainda estava pra nascer.


O projeto logo virou uma franquia, com seis filmes ao todo e não necessariamente com todos os atores principais voltando para seus personagens, aproveitando a enxurrada de filmes de ação que ganhavam a atenção dos espectadores a partir da década de 90. O filme também ganhou uma minissérie de três episódios em forma de quadrinhos escrita por Clint McElroy.


Para quem se interessar em conferir a esse trabalho, o filme está disponível no catálogo da Prime Video.



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