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Crítica do filme: 'A Alma em Paz' [Festival de Cinema Italiano 2024]


Uma família disfuncional, uma jovem cheia de sonhos distantes. Começando uma jornada de desconstruções com essas duas variáveis se chocando em ações inconsequentes, o longa-metragem A Alma em Paz logo se identifica como um drama contundente que joga um alvo nos desperdícios de oportunidades. A normalização da dor e das dificuldades cotidianas apontam olhares beirando o precipício da moral, sem saídas, em um mundo injusto onde o desmoronar virou uma rotina.

Na trama, ambientada ainda nos tempos onde a pandemia buscava ser controlada na Itália, conhecemos Dora (Lívia Antonelli) uma jovem de origem humilde que trabalha duro para sobreviver e na outra parte do dia complementa a renda traficando. Ela vive com a tia e a mãe e tem um passado repleto de traumas. Lutando para ter de volta os irmãos entregues para a assistente social, acaba conhecendo um homem que a faz acreditar em alguns sonhos perdidos.

Há soluções em meio ao caos? Logo percebemos que o ambiente se torna um paralelo para que a narrativa amplie o olhar. Com as ruas vazias e a violência se mostrando uma força que cisma em dar as caras, percorremos os conflitos emocionais da protagonista a partir das diferentes formas de encarar o mundo ao seu redor. Com os pés no chão e explorando recortes de realidades, o roteiro fortalece o discurso sobre os desencontros com a felicidade.

Interpretações sobre o sentido de família - aqui fortemente colocados sobre os deslizes da figura materna - também ganham os holofotes dando voltas na pergunta: O que precisamos ter para ser feliz? Nesse forte drama selecionado para o Festival Italiano de Cinema 2024, escrito e dirigido por Ciro Formisano, a normalização de uma situação caótica abre camadas para reflexões sociais e tantos outros assuntos.   


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