Selecionado para a 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, o engenhoso trabalho do brasiliense Gustavo Fontele Dourado, Hacker Leonilia, explora a ficção cientifica entrelaçada à aventura por meio de técnicas de animação e da extensão do mundo real para o digital - seja pela identidade ou mesmo pela interatividade. Um projeto criativo, com ótimo desenvolvimento de sua protagonista: uma idosa hacker que busca na força das memórias uma luta contra o universo que está presa. A obra é baseada, em parte, na história da avó de Gustavo, Leonilia Ferreira.
Os caminhos para esse roteiro não devem ter sido fáceis, já
que o que se apresenta em tela é uma sofisticada estrada para se chegar na autorreinvenção
através de uma realidade virtual. Há um simbolismo importante sobre a vida
eterna, do embate entre meio ambiente e tecnologia, assim como dos laços que se
distanciam por questões ligadas ao passado. Da utopia de um mundo ideal à distopia
que expõe sinais evidentes de alerta, vamos entendendo diversas razões humanas
como o estopim de uma mudança de rota.
Para recriar toda essa ideia, a materialização parece ser
feita, em partes, através da ilusão do movimento em fotografias quadro a quadro
(stop-motion) combinada a técnicas em 2D (desenhos sequenciais). Essa junção imprime
um ritmo bastante corrido, fazendo com que algumas pontas fiquem soltas - algo
que não influencia o entendimento - por isso a atenção do público é necessária.
Festas realizadas por meio de lives, andróides que assumem formas humanas,
elementos vão sendo inseridos para compor um cenário extenso de um metaverso e também
toda a denúncia quando esse universo se revela nocivo.
Hacker Leonilia integrou
a excelente seleção de curtas-metragens brasileiros que foram exibidos na
principal praça da cidade de Tiradentes (MG), localizada no Largo das Forras.
Um filme que impressiona pela sagacidade em transmitir suas reflexões sobre a
vida, inseridas em um debate atual sobre tecnologia.
