A complexo paradoxo emocional dos encontros e desencontros. Existem filmes que de tão profundo em suas buscas por reflexões podem acabar se perdendo, esse é exatamente o grande problema de Giraffe, co-produção Dinamarca/Alemanha, escrito e dirigido pelo cineasta dinamarquesa Anna Sofie Hartmann em seu segundo longa-metragem. Exibido no Festival de Locarno, e com jeitão de documentário, o projeto é uma busca por constante por respostas sobre memórias, as interseções emocionais que traçam em nossas vidas e as escolhas que precisamos tomar muitas vezes baseadas mais em lealdades do que propriamente ditas no querer.
Na trama, acompanhamos Dara (Lisa Loven Kongsli) uma pesquisadora voltada à área de antropologia
cultural e social que parece registrar um estudo sobre habitantes de uma
cidadezinha na Dinamarca (parece ser uma ilha) que terão suas casas demolidas (e
assim memórias perdidas) para a construção de inovador túnel que ligará o país
até a Alemanha. Se estabelecendo no lugar durante o período da pesquisa, acaba
conhecendo o jovem polonês Lucek (Jakub
Gierszal) com quem tem um affair.
Há alguns focos abordados como pequenas subtramas que giram
em torno do eixo do assunto mais relevante que é a questão da etnologia e as
memórias, quase uma pausa dramática em formato documental que se tornam mais
interessantes do que a ficção proposta em si sobre duas almas bastante
diferentes que se encontram no momento errado de suas vidas. O complicado do
filme é quando se propõe a paralelos entre o que acontece na vida da personagem
principal e as memórias dos outros. O refletir sobre a vida é algo muito
particular para ser filmado e se não for bem definido por imagens, ações ou
sensações que se conectem de alguma forma com quem assiste, vira um grande sonífero
filmado.