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Crítica do filme: 'Pequena Sibéria'


O acreditar naquilo que querem. Um cobiçado objeto vindo do espaço se torna o estopim de uma série de situações fora da curva. Assim, podemos começar a definição do novo longa-metragem finlandês da Netflix – que logo alcançou o top 10 - Pequena Sibéria. Dirigido por Dome Karukoski, o projeto é um drama existencial camuflado de comédia de erros com subtramas inconsistentes em forma de fragmentos pouco convincentes. São 105 minutos de situações incongruentes que logo viram um verdadeiro teste de paciência.

Num vilarejo gelado, onde todos se conhecem, afetado por uma situação inusitada - quando um meteorito atinge o lugar – conhecemos esse curioso lugar e seus personagens através do olhar do pastor Joel (Eero Ritala), em crise conjugal. Com o valor estimado do objeto, olhos invejosos começam a bolar planos. Através desse homem de fé, em meio a um redemoinho de conflitos, a ganância e as dúvidas sobre a esposa Krista (Malla Malmivaara) logo começam a cruzar vários caminhos.

A premissa era muito interessante, falar sobre o fator humano (leia-se moral) quando uma situação que beira ao inacreditável acontece. A questão nessa produção europeia é que de um fato que sustenta o discurso abre-se camadas desenfreadas e nada inspiradas. Com pouca profundidade, em uma narrativa que se distancia de algo imersivo, o filme vai se tornando aos poucos uma série de micro episódios que não conseguem ter sentido no seu arco final.

O sugestivo nome da cidade, Hurmevaara (Encantópolis, na tradução), é mais um elemento que se soma a tantos outros para tentar dar liga a uma história que aos poucos vai se modelando sem pé nem cabeça. A comédia de erros – aplicada em outros projetos de sucesso – aqui se torna um calcanhar de aquiles, muito, por girar totalmente em torno de um protagonista sem carisma que fica tão perdido quanto nós meros espectadores.

Pequena Sibéria pode até abrir o leque para algumas reflexões mas a paciência é testada do início ao fim.

 

 

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