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Crítica do filme: 'A Sombra do Galo'


As verdades após a sonolência. Selecionado para a Competição Ibero-Americana do XVII Fantaspoa, o longa-metragem argentino A Sombra do Galo, La sombra del gallo no original, busca em sua narrativa, nos detalhes ligados à psicologia, o preenchimento de ações e porquês dentro de um cenário caótico de corrupção, mentiras e imposição de comando. Executa com certo sucesso a questão do clima, fundamental para um bom suspense, mas se perde com uma enorme confusão entre o foco principal e as subtramas que aparecem. Flerta com o terror a todo instante mas busca no suspense seu alicerce para o desenvolvimento da trama. Uma trilha sonora incisiva rouba a cena em muitos momentos. Dirigido pelo cineasta argentino Nicolás Herzog.


Na trama, conhecemos Román (Lautaro Delgado), um ex-policial que acaba sendo preso e fica oito anos preso. Ao sair desse tempo de reclusão, retorna a casa de seu pai para ver o estado e decidir se a coloca pra venda, lá é recebido por uma autoridade local, Barani (Claudio Rissi), com quem Román tem alguma espécie de segredo ou esquema, não fica claro.  Sozinho em sua solidão, o protagonista começa a sofrer de algo parecido como uma apneia do sono, levando-o a alucinações, assim surge para ele Angélica (Rita Pauls), uma jovem que sumira anos atrás na região com quem Román começa a se comunicar e assim descobre um esquema de prostituição e tráfico de mulheres.


Sonhos? Alucinações? Pensamentos ligados ao inconsciente? Culpa? Redenção? Muito difícil decifrar o complicado personagem, talvez por não sabermos muito sobre seu passado, de como chegara naquela situação. Há uma melancolia embutida em suas expressões, não entendemos o introspectivo personagem principal logo no início, demora para buscarmos uma certa compreensão. Completamente perdido entre o mundo real e a alucinação, navega entre a linha tênue da interseção sobre tudo que começa a enxergar através da comunicação com a jovem desaparecida.  Dentro dos conflitos contra os que o cercam, sua trajetória vira inconsequente, sufocante, um grito de tristeza em meio ao caos que acaba descobrindo.

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