Pular para o conteúdo principal

E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #493 - Jadilson Gomes


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nosso entrevistado de hoje é cinéfilo, de Belém (Pará). Jadilson Gomes tem 47 anos. Negro, pai do Gabriel, professor de história, ama cinema e poesia. Antes da pandemia costumava ir ao cinema duas vezes por semana. Adora os filmes de Woody Allen, Fellini e Scorsese. Acompanha sites, canais e páginas sobre cinema. Tem amigos incríveis que estimulam os debates e as leituras sobre os filmes. O cinema o ajuda a viver com alegria, amizade e leveza.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Cinema Olympia. Motivos afetivos. Fez parte da minha formação de cinéfilo. Outro excelente motivo é o cinema mais antigo em atividade no Brasil.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

O segredo do Abismo. Foi uma das primeiras experiências sozinho numa sala de cinema. Pude aproveitar o filme e compreender a importância do cinema como arte.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Woody Allen, Manhattan (1979).

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Pra Frente Brasil Direção de Roberto Farias. Um filme impactante e corajoso que - mesmo na época de abertura – cumpriu um papel importante na denúncia e crítica ao regime militar. Este filme deveria ser relançado, especialmente no momento em que tentam negar a história.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Amar essa arte, buscar informações, ler bastante conversar e escrever sobre os filmes e seus respectivos contextos de produção.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

A maior parte, não. O que predomina é o circuito comercial com seus blockbusters. Em minha cidade há dois cinemas que possuem uma programação para quem realmente gosta de cinema: Os cinemas Olympia e Líbero Luxardo.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Acredito que não. Espero que ações do poder público aconteçam de modo perene em outros locais do Brasil. Por exemplo, em Belém o cinema Olympia foi assumido pela Prefeitura e o Libero Luxardo é mantido pela Governo do Estado. Dessa maneira creio que haverá uma longevidade desses templos da cultura. Oxalá, ocorra o mesmo em outras cidades. .

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Cópia Fiel. Direção de Abbas Kiarostami. Um filme belíssimo, profundo e conta com uma excelente atuação de Juliette Binoche.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Acredito que não, mas aos poucos os cinemas comerciais voltaram em Belém.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Avançamos muito do ponto de vista técnico. Sempre tivemos bons realizadores e ótimos atores e ótimas atrizes. Os roteiros melhoraram bastante. O que chama atenção é a diversidade de gêneros. Bom sair das produções voltadas para um público infantil ou comédias que muitas vezes são mais do mesmo. Somos inteligentes e criativos para realizar mais. Temos produzido um cinema que dialoga com o mundo sem perder nossa identidade, cultura, história e o olhar crítico.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Pode ser mais de um? Dira Paes e Irandhir Santos. Adoro a versatilidade deles. Talentosíssimos. Merecem mais reconhecimento.

 

12) Defina cinema com uma frase:

A arte que realiza os sonhos.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Era um sábado em 2014 e meu filho e eu fomos assistir “Não pare na pista” e, simplesmente, havia somente 14 pessoas na sala. Ficamos tristes incialmente, mas antes de começar o filme meu filho passeou pela sala dizendo que o cinema era nosso. Foi uma experiência inesquecível.

 

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras...

Não vi. Não tenho como opinar.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Não necessariamente. Fica uma direção muito técnica. No entanto, ser cinéfilo permite um olhar mais profundo e dialógico com as referências. Todos precisamos de inspiração até os gênios do cinema.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

Vi muitos filmes ruins. Mas não me agrada a franquia “Velozes e Furiosos”.

 

17) Qual seu documentário preferido?

Ilha das Flores (1989) Direção de Jorge Furtado. Muito impactante em minha formação. Além do texto e da direção inteligentes tem a narração de Paulo José.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?

Sim, quando vi Blue Jasmine. Cate Blanchett me emocionou bastante.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

Despedida em Las Vegas.

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Gosto muito do Papo de cinema.

 

21) Qual streaming disponível no Brasil você mais assiste filmes?

Netflix

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...