Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Pânico 4'


Um novo fôlego para uma franquia de sucesso. Na quarta dobradinha entre Wes Craven e Kevin Williamson, a expectativa era alta no ano de 2011 para saber como a dupla conseguiria buscar novas formas de contar situações e conflitos dentro de uma estrutura de narrativa já conhecida. Mais sangrento que os outros filmes, Pânico 4, disponível na Amazon Prime Video, entre outras ótimas questões, usa uma espécie de atualização de vilão que usa a ghostface, esse que agora também entra em paralelo com as atualização da própria indústria cinematográfica e os novos usos da tecnologia. Os diálogos ainda são as chaves do sucesso dessa franquia de estrondoso sucesso em todo o mundo.

Na trama, voltamos à woodsboro, onde os acontecimentos da franquia nasceram. Lá, agora encontramos uma Sidney (Neve Campbell) fazendo carreira na literatura, que colocou em palavras toda sua história de sobrevivência ao longo de todos esses anos. Ela logo reencontra o agora casal oficializado Dewey (David Arquette) e Gale (Courteney Cox) e os três precisarão enfrentar um novo assassino que aparece para infernizar toda a cidade.


O roteiro é mais bem estruturado do que nos filmes 2 e 3. Consegue um ritmo interessante sem perder as características da franquia, entre os pontos principais, as enormes referências a outros filmes de terror. Cenas que relembram outros filmes acabam virando um paralelo logo identificado pelos fãs da saga criada por Kevin Williamson. O filme tem espaço para os dilemas da relação entre Dewey e Gale que não anda nada bem, parece que caiu na mesmice do cotidiano. A chegada dos eventos trágicos de alguma forma reacende esse casal que se conheceu no perigo. É muito produtivo quando há um desenvolvimento de personagens tão emblemáticos para a trama. Já Sidney continua sendo um enorme perigo para toda sua família e os que ficam perto dela, a personagem símbolo mais uma vez usa e abusa de seus truques atrapalhados para sobreviver a mais uma caótica perseguição.


Pânico 4 se mostra um ótimo filme para os fãs e tem a coragem de buscar atualizações e melhorias dentro de sua narrativa sem perder as características, essências, que transformaram essa saga em uma das mais conhecidas da história do cinema.


Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...