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Crítica do filme: 'Benedetta'


O choque para falar sobre a fé. Indicado à Palma de Ouro em Cannes 2021, o novo trabalho do veterano cineasta holandês Paul Verhoeven, que volta as telas do cinema após um hiato de cinco anos, é um filme que pode chocar alguns. Debate a fé em paralelos às incertezas por meio de uma intrigante personagem feminina. O projeto é baseado no livro Immodest Acts: The Life of a Lesbian Nun in Renaissance Italy, de Judith C. Brown. No papel da protagonista, a atriz belga Virginie Efira.


Na trama, conhecemos parte da trajetória da irmã Benedetta (Virginie Efira), uma jovem que desde criança foi levada para o convento por seus pais e assim servindo a cristo desde esse momento. Ela cresce e seus conflitos com sua forte necessidade da fé viram algo intenso, o que causa choques com a líder das freiras, Felicita (Charlotte Rampling). Certo dia, chega ao convento outra jovem, Bartolomea (Daphne Patakia) por quem Benedetta acaba se envolvendo profundamente.


O desejo, o prazer, o entendimento do próprio pensar, do próprio corpo, do dom, tudo uma ilusão ou um milagre não compreendido? Os caminhos para a fé são debatidos aqui com o abstrato, citações sobre a necessidade do sofrimento, o constante medo, o milagre, as visões, as punições, esses e outros elementos vão moldando as linhas conflituosas do roteiro assinado por Verhoeven e David Birke.  O choque chega pelas imagens, no epicentro da paixão e a descoberta do prazer, que dentro de um pensamento conservador da época (e de parte do mundo de hoje) acaba sendo a ponte óbvia para os conflitos que se sucedem.


Há tempo para uma cutucada na ganância sobre a fé, sobre as inúmeras figuras dúbias e suas hipócritas ação e reações dentro dos conflituosos (e interpretativos) entendimentos sobre a fé. As imposições das regras da igreja católica estão envoltas em tudo que se sucede nessa profunda trama, baseada em fatos reais, ambientada na Itália, no final do século XVII.



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