Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Duck Butter'


A busca pelo dom de não se preocupar com o que o mundo pensa sobre você. Buscando um exercício de refletir que caminha entre as conflituosas estradas da autoconfiança, Duck Butter, filme que está disponível lá no catálogo da Netflix, aborda também as zonas de conforto do amor com as vertentes do se jogar ao encontro de um, aos olhos de duas apaixonadas protagonistas. Intimidades, segredos, conflitos em fases da vida, sexo, ao longo de uma noite intensa cheia de diálogos que passam pelos mais diversos temas vamos conhecendo melhor as personagens que tem muita coisa a dizer.


Na trama, conhecemos Naima (Alia Shawkat), uma jovem atriz que acabara de conseguir uma grande oportunidade em um filme dos irmãos Duplass. Durante uma saída a um bar num noite, de maneira despretensiosa acaba conhecendo Sergio (Laia Costa), uma jovem cantora e compositora por quem logo se interessa. Em certo momento, logo do primeiro dia que se conhecem, as duas combinam algo inusitado: ficarem 24 horas juntas para se conhecerem mais rapidamente e entender os rumos dessa relação. Assim, embarcam em um dia intenso onde ambas vão aprender mais sobre a outra.


Há um choque entre a questão do sexo no contexto da impessoalidade contra o prazer com sentimentos. Isso fica mais evidente próximo da conclusão quando conseguimos ter um panorama sobre as situações que acompanhamos ao longo de pouco mais de 90 minutos. Impressionante como durante todo esse dia que passam juntas há tempo para discussões calorosas, sexo, terríveis brigas, decepções, desabafos, mentiras, carinho, afeto, choros, tudo isso de forma intensa.


Reflexões sobre a insegurança com a profissão de atriz aos olhos da protagonista, inclusive, ganham uma passagem com forma de metalinguagem para entendermos os conflitos da realidade com o que se passa nos intensos conflitos vivida pelas duas protagonistas, nesse momento os diretores Jay e Mark Duplass interpretam eles mesmos, assim como o ator paquistanês Kumail Nanjiani.


Dizer tudo que você quer dizer ao mundo e não ser confrontado sobre isso é quase um exercício egocêntrico. Dirigido pelo cineasta porto-riquenho Miguel Arteta, em Duck Butter acompanhamos um desenho, um recorte interessante sobre relações, das diversas formas de conflito a dois em um mundo cada vez menos se importando com os sentimentos, querendo viver mais os momentos.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...

Crítica do filme: 'A Colega Perfeita'

Sufocando a ironia e se apropriando de situações cotidianas sob um ponto de vista norte-americanizado de uma garotada que enxerga a vida adolescente de muitas formas, o longa-metragem A Colega Perfeita , novo lançamento da Netflix, busca ser uma comédia engraçada, com pitadas de reflexões. No entanto, a obra cai no lugar-comum na maior parte do tempo, sem apresentar nada de novo, numa mescla de baboseira e lições existenciais baratas. Dirigido pela cineasta canadense Chandler Levack , com roteiro assinado por Jimmy Fowlie e Ceara O'Sullivan , o filme apresenta uma narrativa feita para agradar a juventude que busca um passatempo ligeiro, sem muitas pretensões de fazer pensar sobre os temas que aparecem, encontrando nas situações conflituosas - e nos exageros - o riso fácil. Por meio dos mais diversos clichês e da falta de inventividade, recorrendo aos esteriótipos por todos os lados, embarcamos na comodidade de um roteiro que se esconde de qualquer profundidade. Uma orientador...