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Pausa para uma série: 'Todo dia a Mesma Noite'

(Crédito: Guilherme Leporace/Netflix)

Uma dor que nunca terminará. Buscando trazer a história, além de detalhes chocantes para o público, de uma das maiores tragédias em território brasileiro, o incêndio na boate Kiss na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Todo dia a Mesma Noite nos faz reviver os horrores de uma madrugada onde as vidas de mais de 200 jovens se perderam, também o luto dos familiares, além da busca por justiça que vira uma estrada sem fim. Dividida em intensos cinco capítulos de cerca de 40 minutos, baseado no livro da jornalista Daniela Arbex, o projeto é profundo, intenso, impactante, angustiante com um foco grande, em seus últimos episódios, na lentidão e absurdos das questões jurídicas e seus desenrolares na busca pelos culpados.


Fundada em 1797, com um pouco menos de 300.000 habitantes, a cidade de Santa Maria, quinta maior em população do Rio Grande do Sul, nunca mais foi a mesma depois de 27 de janeiro de 2013 quando uma boate com super lotação (a capacidade permitida era pouco mais de 650 pessoas, lá tinham mais de 1.000) lambeu em chamas após o cantor da banda que tocava acender um sinalizador que tocou o teto do lugar e que logo se tornou um inferno em segundos. As dificuldades de sair do local foram diversas o que prejudicou a fuga de muitos que ali estavam. Pais, amigos e familiares foram acordados pela madrugada e partiram para o local em busca de notícias, se deparando com um verdadeiro cenário de uma tragédia. Uma cidade ficou em choque, o país em luto. Essa tragédia é difícil de sair da memória de todos nós que acompanhamos pelos noticiários tudo o que era divulgado.


Essa não é uma minissérie fácil de assistir. Principalmente os chocantes primeiro e segundo episódios. Gera um sentimento de revolta em todos. A luta pela condenação dos inúmeros culpados se torna um alicerce da narrativa nos três últimos episódios, onde o foco se desloca para a dor das famílias, os embates com o ministério público da cidade onde tudo aconteceu e as incontáveis idas e vindas à tribunais de várias cidades. A esperança de dar mais um passo na condenação de quem merece ser condenado se torna uma jornada cheia de lutas e burocracias e com um dos maiores absurdos: 10 anos depois que 242 pessoas foram mortas NENHUM réu foi responsabilizado por absolutamente nada que aconteceu naquela noite triste no sul do país.


Pode ser que para alguns esse projeto seja guiado por alguma polêmica sobre o uso como entretenimento, uma minissérie sobre uma tragédia. Mas como assim? Não existe a possibilidade de se negar o que aconteceu! Além do que, uma obra audiovisual traz ao espectador reflexões e o principal, o nunca esquecer!



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