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Crítica do filme: 'Tina'


Se você não cura as feridas do passado, você vive sangrando. Como contar a história de uma das maiores cantoras da história? Ao longo de cerca de duas horas, dirigido pela dupla Daniel Lindsay e T.J. Martin, o documentário Tina nos mostra com detalhes a trajetória profissional e momentos chaves pessoais da inesquecível Tina Turner. A sensualidade, o carisma, a energia, o sucesso, a fama, se entrelaçam com seu passado, voltando décadas atrás, para memórias de enormes traumas, ligados ao abandono de seu pai e sua mãe quando criança até os longos anos em que foi abusada e violentada pelo ex-marido. Esse projeto é o raio-x completo da vida intensa de uma mulher poderosa que soube se reinventar depois dos 40.


Disponível na HBO Max, repleto de imagens e gravações de shows antológicos, além de fitas k7 antigas com gravações de inúmeras entrevistas de momentos importantes na carreira da cantora, o projeto indicado para três prêmios Emmys em 2021 nos leva num primeiro momento até a década de 50, no Tennessee, onde a jovem Tina se encontrou com suas primeiras referências musicais, no gospel, no blues, na música de B. B. King, assim logo conseguiu uma vaga para cantar no coral da igreja batista quando adolescente. Aos 17 anos, foi chamada ao palco pela primeira vez dando início assim à carreira profissional, ao lado do ex-marido Ike Turner. O sucesso veio ao mesmo tempo que a violência, nos momentos difíceis na primeira fase de sua carreira profissional, principalmente no relacionamento repleto de situações absurdas com Ike.


Essa corajosa mulher, que ensinou Mike Jagger a dançar e que nunca estudou dança, nem música, tendo como sua marca registrada a voz marcante, suas pernas saltitantes, sua impressionante presença no palco precisou se reinventar quando enfim se livrou do ex-marido. Nessa fase, tudo foi novo de novo para ela, empresário que nunca havia trabalhado, uma maior liberdade artística enfim assinando sua carreira conforme ela queria. Nesse momento, sua carreira logo atinge o ponto mais alto, com sucessos marcantes como o número 1 da Billboard na época: ‘what's love got to do with it’. Em meados da década de 80, no auge da carreira, assinou para participar do filme Mad Max - Além da Cúpula do Trovão.


A menina que tinha o sonho de lotar plateias pelo mundo, feito apenas conseguido por alguns na época, principalmente no disputado universo do Rock and Roll, chegou lá! Até mesmo o marcante show no Rio de Janeiro, para mais de 180 mil pessoas, no final da década de 80, foi lembrado no documentário. Em meio a shows e mais shows e uma enorme preocupação com a carreira, o lado mãe também ganhou espaço, os tempos longe dos filhos e todos os conflitos que viveu ao longo da criação deles.


Tina, nos mostra de maneira impressionante como essa impactante super estrela conviveu durante anos com conflitos que levou por toda sua vida mas sem deixar de brilhar um segundo quando subia no palco.



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